Inquérito das fake news é usado “aos moldes da Alemanha nazista”, diz deputado
Líder da oposição criticou a investigação sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes que foi aberta em 2019 e segue em curso
O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), criticou nesta quarta-feira, 13, o inquérito das fake news, que tem como relator o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito foi instaurado em março de 2019 e permanece em curso. Para Gilberto Silva, a investigação é “um absurdo, incusive perseguindo a imprensa”.
“Ele é utilizado aos moldes da Alemanha nazista para perseguir opositores. É um inquérito infindável. Não tem justificativa nenhuma plausível e legal para permanecer esse inquérito, a não ser perseguir opositores políticos”, acrescentou, em café com jornalistas.
O congressista ainda pontua que não há nenhum apoiador do governo Lula (PT) no inquérito, mesmo divulgando fake news. “Ele foi um inquérito feito para perseguir a oposição aqui no Brasil. Isso são fatos”, disse.
No último dia 29 de abril, Moraes divulgou um relatório que conecta a disseminação de notícias falsas à organização dos ataques às sedes dos três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, e usa essa conexão para defender a continuidade do inquérito das fake news.
O documento sustenta que a desinformação digital deixou de ser um fenômeno isolado e passou a funcionar como instrumento de uma organização criminosa voltada à ruptura da ordem constitucional.
Judiciário como alvo
No relatório, Moraes afirma que “a massiva desinformação, com a produção e divulgação de notícias fraudulentas contra o Judiciário e seus membros (‘fake news’), principalmente pelas redes sociais, tornou-se o maior, mais moderno e nocivo instrumento de ataque à independência dos juízes”.
Segundo o ministro, o objetivo das campanhas era “desacreditar os magistrados” e “deslegitimar o Judiciário como Poder essencial à sociedade”, além de colocar em dúvida a legitimidade das eleições.
O documento também registra que a hostilidade não se limitou ao campo virtual. “Diversos juízes do Supremo Tribunal Federal foram ameaçados física e psicologicamente, inclusive com a tentativa de explosão da sede da Corte”, escreveu Moraes.
Investigação ampliada
A partir desse diagnóstico, o ministro justifica a expansão do alcance do inquérito ao longo dos anos. As apurações passaram a incluir, além da circulação de notícias falsas, ameaças diretas a magistrados, denunciações caluniosas, vazamento de informações sigilosas e esquemas de financiamento de campanhas digitais.
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