Habeas corpus para voltar ao Brasil é “forma de protesto”, diz Zambelli
Ex-deputada afirma que pedido para entrar no país, votar e retornar à Itália também busca deixar um "registro para a história"
A ex-deputada federal Carla Zambelli afirmou na terça-feira, 22, que o habeas corpus apresentado para tentar voltar ao Brasil, votar e depois retornar à Itália sem ser presa tem um objetivo que vai além da autorização para a viagem.
Segundo a ex-parlamentar, o pedido é também uma “forma de protesto” e pretende deixar registrado nos autos o questionamento às condenações que recebeu e a resposta que será dada pelo Estado brasileiro. Ela disse ainda que, mesmo em caso de concessão do salvo-conduto, avaliará os riscos antes de decidir se retorna ao país.
O habeas corpus foi protocolado pela defesa de Zambelli no Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira, 21. Ela se manifestou sobre a iniciativa por meio de um vídeo publicado no Instagram.
“Hoje eu entrei com habeas corpus pra poder voltar ao Brasil e exercer meu direito cívico de votar. Talvez muita gente não tenha entendido o verdadeiro significado desse habeas corpus. É claro que existe ali um pedido pra que eu possa entrar no Brasil, voltar pra Itália depois de votar, mas existe algo muito maior por trás disso. Esse habeas corpus também é uma forma de protesto e um registro pra história”, inicia a ex-deputada.
“Lembra de tudo que fizeram comigo? Fizeram buscas e apreensões nas minhas residências, quebraram meus sigilos bancário, telemático, telefônico, investigaram toda a minha vida, as minhas comunicações. E que que encontraram? Não encontraram malas de dinheiro, não encontraram dinheiro desviado. Eu não matei ninguém, eu não roubei ninguém”.
Ela prossegue: “Depois de tudo a que eu fui submetida, eu continuo podendo olhar pras pessoas e dizer: ‘eu entrei pra política pra lutar por aquilo em que eu acredito’. E é justamente isso que me faz viver com fé e esperança. Eu sabia dos riscos quando eu decidi enfrentar aquilo que eu considerava errado no Brasil, quando eu critiquei decisões do Supremo, fiz oposição a pessoas poderosas”.
Ela afirma que “não era uma menina ingênua achando que não haveria consequência nenhuma”. “Eu sabia. E mesmo quando eu comecei a ser perseguida em 2026, denunciada pelo [Ricardo] Lewandowski como grave ameaça à ordem pública, não parei. Hoje eu tenho uma condenação de 15 anos em dois processos completamente injustos, e eu continuo contestando isso judicialmente. E é por isso que esse habeas corpus importa”.
Segundo Zambelli, importa não porque “seja o ponto de pensar: ‘Ganhei o habeas corpus, agora eu tô segura'”. “Não, não sou. Eu vejo o que acontece no Brasil, eu tô acompanhando cada decisão e eu agradeço de coração às milhares de pessoas que estão dizendo: ‘Carla, não volte, não coloque sua liberdade em risco’. Até as pessoas que tão me xingando”.
Entretanto, acrescenta, “esse pedido precisa existir nos autos, porque daqui a dez, 20 anos alguém vai estudar esse período da história brasileira“. “E eu quero que os historiadores brasileiros encontrem estes documentos. Quero que saibam que mesmo depois de tudo, eu procurei os caminhos legais, que eu recorri, que eu pedi habeas corpus, que eu pedi ao Estado brasileiro uma garantia pra poder entrar no meu país, exercer meu direito cívico de votar e sair novamente em liberdade”.
A ex-parlamentar continua: “Eu quero que também esteja registrada a resposta que o Estado brasileiro vai dar isso. Um dia, esse habeas corpus foi concebido como uma das maiores garantias pro cidadão contra uma prisão ilegal. Hoje eu tô pedindo justamente esta garantia histórica. Se ela vier, ainda assim, é óbvio que eu vou avaliar todos os riscos e decidir se eu vou voltar, porque coragem não significa imprudência”.
No habeas corpus preventivo, os advogados apontam o ministro Alexandre de Moraes, do STF, como autoridade coatora e pedem ainda a suspensão das ordens de prisão de Zambelli decorrentes das condenações dela nas Ações Penais (APs) 2.428 e 2.415 até o julgamento da Petição 16.662, ligada ao caso do Banco Master.
Na AP 2.428, Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos. Já na AP 2.415, a 5 anos e 3 meses de prisão por perseguição armada em São Paulo, na véspera do segundo turno de 2022.
Zambelli está na Itália, foragida. Em maio, a Corte de Cassação – última instância da Justiça italiana – revogou a decisão da Corte de Apelação de Roma que havia autorizado a extradição dela ao Brasil.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)