Governo de SP vai construir supercomputador para IA
Projeto prevê uso do equipamento em saúde, clima e indústria; Campinas é a principal candidata a sediar a infraestrutura
O governo de SP anunciou na terça-feira, 5, o encaminhamento formal de um projeto para construção de um supercomputador de alto desempenho voltado à inteligência artificial. A proposta, submetida ao Conselho do Programa de Parcerias em Investimentos (PPI-SP), prevê uma estrutura compartilhada entre o Estado e a iniciativa privada, com aplicações que vão do desenvolvimento de modelos de IA ao uso em políticas públicas nas áreas de saúde, clima e segurança.
Modelo híbrido divide capacidade entre governo e mercado
O desenho do projeto reserva ao Estado aproximadamente 30% da capacidade total do equipamento, na condição de usuário âncora. O restante será ofertado ao setor privado, com foco em segmentos como financeiro, energia, agronegócio e tecnologia. Segundo o governo, essa estrutura visa assegurar a operação contínua da máquina e reduzir o risco de subutilização — problema frequente em iniciativas semelhantes no país.
A proposta foi encaminhada em reunião conjunta do Conselho Gestor do Programa de Parcerias Público-Privadas (CGPPP) e do Conselho Diretor do Programa de Desestatização (CDPED). O secretário-executivo de Parcerias em Investimentos, Thiago Nunes, afirmou que “São Paulo já concentra um dos principais ecossistemas de inovação do país, e a proposta é ampliar essa capacidade com uma estrutura de alto desempenho, essencial para aplicações em saúde, clima, indústria e políticas públicas”.
Campinas lidera disputa pela sede do projeto
A localização definitiva ainda não foi definida, mas a região de Campinas aparece como referência nos estudos técnicos em andamento. Os critérios de escolha levam em conta disponibilidade de energia elétrica, infraestrutura de conectividade e proximidade a centros de pesquisa. O município concentra instituições científicas de peso no Estado.
Entre os usos previstos estão o treinamento de modelos avançados de IA, simulações industriais de grande escala, pesquisa farmacológica e previsão climática de alta resolução. No âmbito governamental, a estrutura poderá ser aplicada em defesa civil, mobilidade urbana e gestão de dados de saúde pública.
O texto também situa o Brasil em posição desfavorável frente a países como Estados Unidos e nações europeias, que já dispõem de infraestrutura computacional de larga escala. O projeto paulista é apresentado como uma tentativa de reduzir essa diferença no plano nacional.
Próximas etapas incluem consulta pública
Com a qualificação no PPI-SP concluída, o projeto avança para a fase de modelagem técnica e financeira detalhada. Estão previstas consultas públicas antes da elaboração do edital de licitação. Não há prazo divulgado para o início das obras ou para a entrada em operação do equipamento.
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