Gleisi chama governistas para conversa às vésperas de reunião da CPMI
Parlamentares devem discutir com a ministra as estratégias que serão adotadas no colegiado, cujo comando ficou com a oposição
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, convocou parlamentares da base governista para uma reunião, na noite desta segunda-feira, 25. O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), que está temporariamente na liderança do governo na Casa Alta, será um dos participantes. Os parlamentares devem discutir com a ministra as estratégias que vão adotar na CPMI do INSS.
O encontro ocorre às vésperas da segunda reunião do colegiado, que tem como presidente o senador Carlos Viana (Podemos-MG) e como relator o deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Na reunião de amanhã, a previsão é que a CPMI decide sobre suas normas de funcionamento, o relator apresente o plano de trabalho e sejam votados 35 requerimentos – incluindo um de convocação do ex-presidente do INSS Alessandro Antonio Stefanutto.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito vai apurar o esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) foi escolhido pelo governo para coordenar a base governista na CPMI. O anúncio foi feito pelo líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), em coletiva de imprensa na semana passada.
Segundo Randolfe, como coordenador-geral do grupo de deputados e senadores governistas no colegiado, Pimenta terá a tarefa de consultar cada um desses membros sobre “sua vontade de atuar, como atuar e em que instantes atuar”.
Randolfe ainda assumiu a culpa pela derrota do governo na eleição para presidente da CPMI; com o apoio da oposição, Viana foi eleito para o posto no lugar do senador Omar Aziz (PSD-AM).
“Hoje o resultado da CPMI, o resultado da votação, não foi agradável para o governo, foi desfavorável. A responsabilidade eu assumo a minha culpa, por minha máxima culpa, porque cabe a mim a responsabilidade da liderança do Congresso, então responsabilidades minhas eu não terceirizo para ninguém. As minhas responsabilidades assumo”, pontuou Randolfe.
“Da parte nossa, acho que subestimamos a capacidade de articulação da oposição, a capacidade de mobilização da oposição. Mas todo bom time tem uma derrota no campeonato. Perdemos uma partida no dia de hoje de um campeonato que estávamos vindo de vitórias. Hoje é um dia que o time faltou jogar entrosado, entrou subestimando o adversário”.
Ele prosseguiu: “Agora o time vai se reorganizar, se rearticular. A maioria dos membros da CPMI são membros com lealdade ao governo. Vamos conduzir a CPMI. Não vamos permitir que ela se torne palco da oposição nem muito menos um resgatador de likes”.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), também disse que a capacidade de articulação da oposição foi subestimada pelos governistas.
“Todo mundo do governo admite que houve uma subestimação. Podia ter tido uma mobilização melhor, mais atenção. Então, houve um erro. Mas é perder um jogo, não é perder o campeonato”, disse o petista, em entrevista a jornalistas.
“A preocupação com essa CPMI é que ela não vire circo. Daqui a pouco ela vai ser usada como moeda para tentar livrar o julgamento, então a gente não quer isso. CPMI, os senadores e deputados tem que ter responsabilidade. É comissão de investigação. Investigação se faz com isenção, não com disputa político-partidária”, pontuou também.
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