Filho de Zambelli publica carta escrita pela mãe e depois apaga
Na carta, deputada se dizia inocente e chamava Moraes de "ditador"; advogado disse que exclusão ocorreu devido a uma proibição
O filho da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), que está presa na Itália, publicou nesta quarta-feira, 6, uma carta escrita à mão por ela, mas depois apagou. Na mensagem, ela se dizia inocente e se referia ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como um “ditador“.
A O Antagonista, o advogado da parlamentar, Fábio Pagnozzi, disse que João Zambelli excluiu a publicação porque há uma decisão de Moraes que proíbe a deputada de se pronunciar por meio de outras pessoas.
“Acabei de ver aqui a carta que o filho publicou. Ele tirou por uma decisão do Alexandre de Moraes que ela não pode mais se pronunciar através de terceiros. E como ela fala ao povo brasileiro, juridicamente já tem um entrave dizendo que não pode ser divulgada por ninguém. Nem pelo advogado, nem pela imprensa, nem por ninguém. Então, por bem, o filho retirou do Instagram”, pontuou o advogado.
Zambelli foi presa na semana passada, em Roma. Ela estava foragida na Itália, após ser condenada pelo STF por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos. O Ministério da Justiça do Brasil disse que ela seria submetida ao “processo de extradição, conforme os trâmites previstos na legislação italiana e nos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário”.
“Aos brasileiros de todo o mundo, a vida é um grande milagre, mas o maior presente para as nossas vidas é a liberdade para viermos para nossa família, seja a de sangue ou aquela que elegemos. Quero me pronunciar que estou sendo ‘forte e corajosa’, mantenho a fé, a cabeça erguida, uma consciência tranquila de alguém inocente. Tenham força, fé e coragem”, dizia a deputada na carta publicada pelo filho
“O Brasil é um país abençoado e nenhum ditador nos colocará de joelhos. Amo vocês com todo meu coração! ‘Tudo posso naquele que me fortalece'”.
Processo na CCJ
Na terça-feira, 5, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Paulo Azi (União-BA), e o relator da representação contra Zambelli apresentada pela Mesa Diretora por causa da condenação dela, Diego Garcia (Republicanos-PR), definiram as diligências que serão feitas no processo.
Entre as diligências, estão o convite para oitiva de seis testemunhas, incluindo o hacker Walter Delgatti Neto, que foi condenado no caso do CNJ também, e a oitiva de Zambelli – que será feita por videoconferência.
No âmbito do processo, a Comissão de Constituição e Justiça votará a aplicação da pena de perda de mandato contra a deputada.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)