Filho de Lewandowski atua para entidade investigada por fraude no INSS?

15.10.2026

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Filho de Lewandowski atua para entidade investigada por fraude no INSS?
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Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 29.04.2025 09:23 comentários
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Filho de Lewandowski atua para entidade investigada por fraude no INSS?

Contratação do escritório de Enrique Lewandowski ocorreu em 2 de dezembro de 2024, quatro meses antes da Polícia Federal deflagrar a Operação Sem Desconto

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6 minutos de leitura 29.04.2025 09:23 comentários 7
Filho de Lewandowski atua para entidade investigada por fraude no INSS?
Foto: Jamile Ferraris / MJSP

Investigado por envolvimento no bilionário esquema de fraude nos descontos sobre aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap) é representado juridicamente pelo escritório do advogado Enrique Lewandowski, filho do ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski (foto).

Segundo o Metrópoles, a contratação ocorreu em 2 de dezembro de 2024, quatro meses antes da Polícia Federal deflagrar a Operação Sem Desconto, que culminou na demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.

O escritório do filho de Lewandowski foi contratado para “representar institucionalmente a associação” junto a órgãos federais “de forma a assegurar a manutenção do ACT (Acordo de Cooperação Técnica)”,

O ACT é o convênio que permite os descontos de mensalidade associativa de aposentados e pensionistas.

Além do INSS, os órgãos listados no contrato são a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), pasta vinculada ao Ministério da Justiça de Ricardo Lewandowski, a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU).

Leia também: PF aponta repasses suspeitos a integrantes do INSS

O que diz o contrato?

O contrato do escritório com o Cebap prevê atuação “no atendimento consultivo às fiscalizações demandadas pelos órgãos reguladores dos ACTs”, além de “assessoria jurídica consultiva para evitar a desabilitação da cliente [Cebap] dos quadros do INSS como entidade autorizada a realizar descontos de mensalidades de seus associados, sempre em âmbito administrativo”.

“Para tanto, iremos participar de reuniões com as diferentes autoridades públicas que possam tratar da referida habilitação, incluindo, mas não se limitando ao INSS, à Senacon, à CGU, ao TCU e a outros para apresentação, realização de diagnóstico e entendimento do estágio atual da relação da entidade com os órgãos”, continuou.

Leia também: Os responsáveis pelo escândalo do INSS

E o filho de Ricardo Lewandowski?

Ao portal, a assessoria do advogado Enrique Lewandowski disse que o documento “diz respeito a uma proposta de prestação de serviços na área do direito administrativo ao Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap)”.

Ainda segundo o escritório de advocacia, o contrato “não contempla atuação na esfera criminal”.

“Esclarece, ainda, que jamais atuou em nenhum processo no âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública”, acrescentou.

Leia também: Entenda fraudes no INSS, narrativas do governo Lula e papel do jornalismo

Crusoé avisou

A revista Crusoé, na matéria “Cai o tráfico, fica a influência”, assinada por Felipe Moura Brasil em 14 de março de 2024, destrinchou elos familiares entre escritórios de advocacia e tribunais, reforçados nos últimos anos.

O caso mais famoso é o de Dias Toffoli, que, em dezembro de 2023, suspendeu multas de R$ 10,3 bilhões da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que haviam contratado a advogada Roberta Rangel, esposa do ministro do STF. Toffoli alegou que “há, no mínimo, dúvida razoável sobre a voluntariedade dos irmãos” Batista ao firmar a leniência, quando, na verdade, Joesley, a fim de lavar sua imagem e evitar maiores prejuízos derivados do envolvimento em suborno, antecipou-se em 2017, decidiu virar colaborador sem estar preso, gravou conversa com o então presidente Michel Temer e assinou o acordo junto com Wesley, ambos confessando pagamentos de propina.

Quando o STF, em agosto de 2023, autorizou os próprios ministros e demais juízes a julgarem casos de clientes de escritório de cônjuge ou de parente, o Grupo Petrópolis, também investigado no âmbito da Operação Lava Jato, já havia contratado, em fevereiro e junho daquele ano, três advogados parentes de ministros do STF: Karine Nunes Marques, irmã de Kassio Nunes Marques; Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes; e Maria Carolina Feitosa, enteada de Gilmar.

As três passaram a atuar em caso contra a Imcopa, empresa de processamento de soja com a qual Walter Faria, dono do Petrópolis, tinha uma disputa societária. Meses depois, em março de 2024, o ministro Antônio Carlos Ferreira, do Superior Tribunal de Justiça, derrubou uma liminar da Justiça do Paraná e transferiu a posse da Imcopa para o grupo de Faria. Antônio Carlos, do “Centrão” do STJ, tem ótima relação com Kassio, com quem aparece sorridente em diversas fotos; tomou posse junto com Gilmar como ministro substituto do TSE em 13 de junho de 2023; e foi saudado por Moraes, na ocasião, como “um amigo que vem para somar ao Tribunal da Democracia”.

Em julho daquele ano, um mês antes do libera-geral do STF, Crusoé também havia noticiado que o número de ações no Supremo sob a responsabilidade de esposas dos ministros da Corte subiria para 109 com a posse de Cristiano Zanin, o advogado pessoal indicado por Lula.

Em agosto de 2023, a ex-ministra do STJ Eliana Calmon disse ao Papo Antagonista:

“Existe uma divisão familiar. A mulher fica com o poder econômico nos escritórios de advocacia; e o marido, com o poder político dentro do Judiciário. Desta forma, eles ganham muito e têm o poder na mão. É realmente um acasalamento perfeito.”

Emplacar aliados em outros tribunais, além de órgãos de fiscalização e controle, como a Procuradoria-Geral da República, só aumenta o poder político desses maridos, ou parentes, dentro do Judiciário, como explicou Moura Brasil. A disputa nos bastidores é tão acirrada que incendiou a relação entre Gilmar e Kassio em 2022, quando o primeiro fazia campanha pela indicação do desafeto do segundo, Ney Bello, do TRF-1, para o STJ. O veto pessoal de Kassio ao antigo colega de Corte levou o então presidente Jair Bolsonaro a optar pelo favorito do ministro à vaga, Paulo Sérgio Domingues, também apoiado por Antônio Carlos Ferreira.

Flávio Jardim, cuja indicação para o TRF-1 em março de 2024 foi apoiada por Gilmar, é sócio do escritório de advocacia Sergio Bermudes, que também tem como sócia a advogada Guiomar Feitosa Mendes, mulher do ministro do STF. Com ajuda de Lula, portanto, Gilmar, que blindou o petista contra a Lava Jato, emplacou não só seu ex-sócio Paulo Gonet na PGR, mas o sócio da própria esposa no TRF-1, que atua em processos de 13 unidades da federação.

Em 2019, quando a Receita Federal atingiu as esposas de Toffoli e Gilmar, Moraes usou o inquérito das fake news para suspender a apuração e dois auditores fiscais.

Leia também: Mulher de Moraes foi contratada por Banco Master

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Comentários (7)

ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO

29.04.2025 19:52

É uma verdadeira "suruba judiciária".


Amaury G Feitosa

29.04.2025 15:27

Alô MANÉ entendeu agora porque desmontaram a Lava Jato? Uma quadrilha implantou uma DITADURA neste país de merda.


Marcia Elizabeth Brunetti

29.04.2025 14:27

Nessas horas que se entende bem porque a LAVA-JATO não poderia continuar existindo.


Angelo Sanchez

29.04.2025 13:47

A Máfia dos golpistas, traficantes, corruptos e outros, dão a impressão que contratam escritórios de Ex Ministros do STF, de filhos de Ministros, Desembargadores, Juízes para se livrarem de penalidades e empurrar com a barriga processos que não acabam nunca, até cair no esquecimento.


MARCOS

29.04.2025 11:31

PARECE NÃO. ESTÁ TUDO DOMINADO. O SISTEMA ASSUMIU TUDO E AGORA MANDA EM TUDO E FAZ O QUE QUER E QUEM PODE SOCORRER O POVO NADA FAZ.


Olinha

29.04.2025 10:43

Parece que está “tudo dominado”, os manés que se virem.


Fabio B

29.04.2025 09:37

O serviço jurídico muitas vezes inclui até a impunidade.


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