Davi de Souza na Crusoé: O financiamento público do novo voto de cabresto
A entrega de um trator no meio do período eleitoral é extorsão eleitoral custeada por quem trabalha e produz
O Congresso cometeu um atentado frontal contra a integridade do processo democrático ao derrubar os vetos à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
O trecho que havia sido vetado — e que agora foi cinicamente ressuscitado pelos parlamentares — proibia expressamente a transferência de recursos federais e a doação de bens da União, como tratores e cestas básicas, para municípios inadimplentes durante o período eleitoral.
Na prática, a manobra libera um fluxo bilionário de dinheiro para mais de três mil prefeituras endividadas, exatamente às vésperas de abrirem as urnas.
Essa decisão transcende o mero descalabro fiscal. Trata-se da legalização escancarada da compra de votos.
É o suor do cidadão pagador de impostos financiando, compulsoriamente, o aparelhamento das eleições para manter a atual casta política no poder.
O pilar de qualquer democracia saudável é a paridade de armas, a premissa de que os candidatos terão chances razoavelmente justas de apresentar suas ideias à sociedade.
No entanto, a realidade política brasileira transformou o pleito em uma concorrência covardemente desleal, blindada contra qualquer forasteiro.
Um cidadão comum que decida ingressar na vida pública esbarra em uma muralha financeira intransponível erguida pelos caciques partidários.
Não bastasse a aberração imoral do Fundo Eleitoral, que extorque quase 5 bilhões de reais da sociedade para irrigar os cofres dos partidos, os donos do poder agora asseguram a dominância absoluta dos recursos públicos diretamente nas bases municipais…
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