"Crime não poderia ocorrer se não tivesse presidente do INSS no bolso", diz Cohen

06.12.2025

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“Crime não poderia ocorrer se não tivesse presidente do INSS no bolso”, diz Cohen

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Guilherme Resck
4 minutos de leitura 01.09.2025 19:49 comentários
Brasil

“Crime não poderia ocorrer se não tivesse presidente do INSS no bolso”, diz Cohen

Advogado detalhou à CPMI a atuação de três entidades que teriam realizado descontos associativos não autorizados nos últimos anos

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Guilherme Resck
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“Crime não poderia ocorrer se não tivesse presidente do INSS no bolso”, diz Cohen
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O advogado Eli Cohen disse nesta segunda-feira, 1º, que os descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões por parte da Ambec, Cebap e Unsbras não poderiam ter ocorrido se elas não tivessem o presidente do INSS no bolso. A declaração foi feita durante depoimento à CPMI do INSS.

Cohen foi responsável pelas investigações particulares iniciais que culminaram na deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Ele falou à comissão na condição de testemunha.

Ambec, Cebap e Unsbras são apenas três das entidades que teriam realizados descontos associativos não autorizados no país nos últimos anos. Segundo Cohen, por trás das três está o empresário Maurício Camisotti, que controla as empresas do Total Health Group (THG).

Ele detalhou que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS“, atuava como um alimentador de dados para essas entidades e fazia lobby para elas dentro do INSS. O Careca repassava ilegalmente dados de aposentados e pensionistas a Camisotti, para que as fraudes fossem realizadas.

Os descontos irregulares ocorriam por meio de adesões com assinaturas falsas, ligações montadas e outros métodos.

Esse crime não poderia ter sido realizado se você não tivesse o presidente do INSS no seu bolso, todo o departamento de benefícios do INSS e, na minha opinião, que eu tenho certeza que os senhores vão chegar lá, o ministro da Previdência”, disse Cohen.

Conforme o advogado, o Careca tinha o controle do departamento de benefícios. Ele ressaltou ainda que Camisotti é o “capo” da Ambec, Cebap e Unsbras, mas não de todas as fraudadoras. Precisamos achar os outros Maurícios e os outros Carecas.

Segundo Cohen, o modelo de fraude, explicado por ele, envolvendo essas três entidades é o mesmo utilizado por todas as demais associações que fizeram descontos irregulares em aposentadorias e pensões.

“Só mudam os personagens. O que não muda é a vítima, o aposentado, sempre é o mesmo, esse não muda, desde 2005”.

Em determinado momento do depoimento, ele chegou a acusar o Banco Master, BMG e PicPay de fazerem fraudes em débitos consignados também.

Festa em resort

Cohen relatou ainda que, em 2024, houve uma festa num resort patrocinada por Camisotti em que vários políticos participaram. O evento ocorreu em Santa Catarina.

De acordo com ele, entre os presentes, estiveram o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), o ex-senador Cidinho Santos, o governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União), e os deputados federais Pedro Lupion (PP-PR) e Elmar Nascimento (União-BA).

Cohen, porém, salientou que não estava fazendo “juízo de valor” e os acusando de participação em fraudes.

Atuação da Ambec

O advogado explicou que a Ambec, especificamente, se propõe a oferecer planos e benefícios ligados a seguro e funeral a aposentados. Ela tinha um acordo de cooperação técnica com o INSS e acabou sendo descredenciada, mas, posteriormente, o Careca, contratado por Camisotti, conseguiu reabilitá-la.

A Ambec foi reabilitada no início de 2022. Naquele momento, possuía três associados e arrecadava 130 reais por mês com descontos associativos. Em 2023, ela foi para 45 mil associados, e a arrecadação chegou a 2 milhões de reais por mês. Em 2024, 600 mil associados, e arrecadação de cerca de 20 milhões de reais por mês.

Cohen afirmou que se trata de uma entidade “criminosa”. O dinheiro descontado dos aposentados e pensionistas ia diretamente para os cofres dela, mas depois saía por transferências realizadas numa mesma agência bancária que estaria em conluio com Camisotti e ia parar, por exemplo, em uma conta particular do empresário.

Ameaças

Questionado pelo relator se sofreu ameaças pelas investigações que fez sobre os descontos irregulares, Cohen disse ter sofrido “várias” e que “sempre foram telefonemas anônimos”.

Gaspar, então, afirmou que fará um requerimento, para ser colocado em votação, para proteção policial de Cohen. Deve ser votado na quinta-feira, 4. Porém, ele já pediu ao presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que envie ofício à Polícia Federal pedindo proteção ao advogado.

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