Alcolumbre marca sessão remota após obstrução: “Não aceitarei intimidações”
Segundo o presidente do Senado Federal, "o Parlamento não será refém de ações que visem desestabilizar seu funcionamento"
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), determinou nesta quarta-feira, 6, que a sessão deliberativa do plenário da Casa na quinta, 7, seja realizada de forma remota, em decorrência da ocupação da Mesa Diretora por senadores da oposição.
“A decisão tem por objetivo garantir o funcionamento da Casa e impedir que a pauta legislativa, que pertence ao povo brasileiro, seja paralisada”, afirmou Alcolumbre, em nota.
“Não aceitarei intimidações nem tentativas de constrangimento à Presidência do Senado. O Parlamento não será refém de ações que visem desestabilizar seu funcionamento. Seguiremos votando matérias de interesse da população, como o projeto que assegura a isenção do Imposto de Renda para milhões de brasileiros que recebem até dois salários mínimos. A democracia se faz com diálogo, mas também com responsabilidade e firmeza”, complementou.
A oposição está ocupando a Mesa Diretora desde terça, em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a atuação do ministro Alexandre de Moraes, e para pressionar a Casa a avançar com o processo de impeachment do magistrado.
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou o movimento nesta quarta.
“O povo brasileiro não pode carregar nas costas o peso de Jair Bolsonaro. Primeiro, conspirou com um governo estrangeiro, fazendo o presidente dos EUA impor pesadas taxas às exportações brasileiras, comprometendo nossos empregos, empresas e a economia do Brasil em troca de pressão para sua anistia”, iniciou a ministra, em publicação no X.
“Agora, seus apoiadores no Congresso Nacional, com o mesmo objetivo, impedem votações importantes para os trabalhadores e as famílias do Brasil: isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, PEC da Segurança, isenção da conta de luz pra quem consome até 80 kW, só para ficar em alguns exemplos. Este país tem Constituição, leis, poderes independentes e um povo altivo. Não pode ficar refém de Bolsonaro“.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), já havia criticado na terça.
“Eu acho que isso não é obstrução. Obstrução ocorre quando a sessão no Congresso Nacional ou das Casas é instalada, e legitimamente a oposição quer obstruir. Isso não é obstrução, é vilipêndio. Impedir o pleno funcionamento das Casas do Congresso Nacional é outro 8 de janeiro, que está sendo organizado, está em vigor, pelos mesmos que fizeram o ato terrorista de 8 de janeiro de 2023”, declarou Randolfe.
“O que ocorre hoje no Congresso Nacional é outro 8 de janeiro, é um vilipêndio ao funcionamento pleno do Congresso Nacional daqueles que estão a serviço de interesses estrangeiros, estão a serviço da impunidade e não querem que a agenda do Brasil avance. Nós estamos aqui querendo trabalhar e que a agenda do Brasil avance, e queremos ‘anistia’ para milhões de brasileiros que pagam imposto de renda, é essa anistia que queremos que seja votada”.
Ele prosseguiu: “E a anistia que eles querem é daqueles que cometeram crimes contra a democracia, contra as instituições”.