Ala do STF vê rejeição de Messias como recado a ministros
Indicado de Lula para o STF foi rejeitado por 42 votos contrários e 34 favoráveis
Parte dos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) viram a rejeição do Senado à indicação de Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso como um recado aos ministros da Corte.
Conforme apurou O Antagonista, a leitura no Supremo é de que o Legislativo pode, em um cenário mais favorável à atual oposição, avançar sobre o impeachment de ministros do STF.
A derrota também foi avaliada por uma ala dos ministros como um revés para o ministro André Mendonça, que atuou ativamente pela aprovação do Messias.
Os ministros entenderam também que a rejeição expõe a fragilidade política do presidente Lula (PT), que deixou a articulação no Senado nas mãos de intermediários.
Votação
Messias foi rejeitado por oito votos de diferença, com 42 contrários e 34 favoráveis à indicação.
Antes da votação no plenário, a indicação feita por Lula havia sido aprovada pela CCJ do Senado, por 16 votos a 11.
O placar no colegiado foi concluída após sabatina, em que Messias falou sobre diferentes temas.
Ele disse que o 8 de janeiro de 2023 “foi um dos episódios mais tristes da história recente“. Segundo o parlamentar ainda, os atos daquela data fizeram “muito mal ao país“.
O sabatinado se manifestou contra o aborto, a favor da liberdade de imprensa e até criticou abus do Poder Judiciário. Ao menos dois ministros do governo acompanharam a sabatina presencialmente: José Múcio, da Defesa, e Wellington Dias, do Desenvolvimento Social.
Articulações
Lula indicou Messias ao STF em novembro do ano passado, na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, mas a mensagem presidencial com a indicação só chegou ao Senado em 1º de abril deste ano.
O governo federal demorou quatro meses para enviar a indicação ao Senado, após a publicação dela no Diário Oficial da União. O Executivo aproveitou o tempo para tentar uma maior aceitação do nome de Messias entre os senadores. Ainda assim, o indicado enfrentou bastante resistência.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), preferia que o petista tivesse indicado o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Como mostramos, nas conversas com senadores na manhã desta quarta, Alcolumbre liberou seus aliados a votar contra a indicação de Jorge Messias.
O presidente do Senado se demonstrou extremamente incomodado com movimentos protagonizados por Messias e alguns de seus aliados, como o ministro do Supremo André Mendonça. O parlamentar se irritou com o vazamento da informação sobre o encontro secreto tido entre ele e Messias na residência do ministro Cristiano Zanin na semana passada. Para Alcolumbre, teria sido o próprio Messias o responsável pelo vazamento da informação.
Outro movimento que incomodou o parlamentar amapaense foi a pressão de pastores evangélicos aos demais senadores. Esse movimento entre os evangélicos é liberado por André Mendonça. Para Alcolumbre, o ministro do STF tentava emplacar o aliado como forma de vingança pelo tempo em que ele, Mendonça, precisou esperar para ser sabatinado.
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Comentários (1)
É o recado dado também ao Lula. Se prepare para escapar da candidatura. Pode ser que você tenha que sair de fininho , sr. lulex!