Não se brinca com golpe de Estado
Os problemas do julgamento de Bolsonaro e aliados no STF não apagam o ímpeto golpista alimentado pelo ex-presidente nos últimos anos
O julgamento de Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado tem, de fato, muitos problemas, como reclamam os bolsonaristas.
A relatoria de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que figura como vítima da trama é uma questão, assim como o julgamento do caso no STF, e na Primeira Turma, em vez do plenário, entre outros questionamentos. Mas nada nesse tumultuado processo apaga o ímpeto golpista alimentado pelo ex-presidente nos últimos anos.
Os aliados de Bolsonaro se concentram nas falhas do processo, no qual apontam abusos, para clamar por anistia e fingem que Bolsonaro está sendo julgado por “divergências ideológicas” que foram transformadas em “condutas criminosas”, para usar as palavras do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice-presidente do governo Bolsonaro que ficou de fora do julgamento no STF.
Mas as investigações da Polícia Federal (PF) mostraram que houve uma trama golpista, e que ela só não avançou porque dois dos três chefes das Forças Armadas não toparam participar. Mais do que isso: Bolsonaro jogou com a possibilidade de uma intervenção militar ao longo de todo seu mandato.
Tanques
Em 2021, um desfile de tanques na Esplanada dos Ministérios acabou virando piada, porque os blindados do Exército não conseguiram projetar o medo que se pretendia. Mas já estava manifestada ali a ameaça do incomodado presidente durante a pandemia de covid.
“Nós também não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos três Poderes continue barbarizando nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil. Ou o chefe desse Poder enquadra o seu ou esse Poder vai sofrer aquilo que não queremos”, discursou Bolsonaro no 7 de Setembro daquele ano, referindo-se ao caso do então deputado federal Daniel Silveira, preso meses antes, em fevereiro.
Naquele mesmo dia, o então presidente chamou o ministro Alexandre de Moraes de “canalha”, para o delírio de seus apoiadores na avenida Paulista, que responderam ao discurso com gritos de “eu autorizo”. Autorizavam exatamente o quê?
STF
Depois da derrota para Lula, boa parte desses apoiadores se instalou em frente de quartéis do Brasil inteiro, para pedir por aquilo com que Bolsonaro lhes iludiu: uma intervenção militar milagrosa, que corrigiria tudo o que eles enxergavam como problema na política brasileira.
O vandalismo do 8 de janeiro de 2023 na Praça dos Três Poderes foi o ápice de tudo isso. Foi a materialização, ainda que desordenada e estéril, de um sentimento golpista alimentado por Bolsonaro. E os ministros do STF aproveitaram o quebra-quebra para reagir a esse sentimento.
Há, portanto, no julgamento da trama golpista, um caráter de recuperação de “uma febre populista”, como descreveu a revista The Economist na edição em que tratou o caso como uma lição para os Estados Unidos de Donald Trump. A partir da provável condenação de Bolsonaro, o Brasil terá de lidar, contudo, com as sequelas desse processo para o hipertrofiado e boquirroto STF.
Leia mais: Bolsonaro vira constrangimento para Trump
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Comentários (5)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
04.09.2025 11:30Usaram a reunião de Bolsonaro com embaixadores para falar mal das urnas eletrônicas (os "moinhos de vento" desse D. Quixote tupiniquim) para cassarem seus direitos políticos. Usam a invasão dos baderneiros, os patriotas que destroem bens publicos e históricos da nação, para dizerem que houve "rebelião armada" e "tentativa de golpe de estado" (não dariam golpe de estado nem no Vaticano, bastariam os pouco mais de cem homens da guarda suíça com suas alabardas para os fazerem correr). É muito contorcionismo jurídico. Pena não terem sido assim rigorosos com os escândalos e roubalheira discarada do PT e cúmplices (aliados não, cúmplices mesmo).
Edy Mary F Ivo
02.09.2025 08:44Vcs acreditam mesmo que houve golpe? Desde q Bolsonaro assumiu o governo ele foi atacado pelo STF pelos órgãos de imprensa, pelos artistas interessados na lei Rouanet, isso vcs nao falam. Vcs não são imparciais me arrependo de ter feito assinatura. Nunca mais.
RICARDO
02.09.2025 08:15Essa revista já foi melhor; hoje, resume-se a fofocas e intrigas.
Dovanil Ferraz Camargo Júnior
01.09.2025 16:46Salvo outro juízo o desfile de blindados não foram os do Exército e sim os da Marinha, notadamente velhos.
ale
01.09.2025 16:40É incrível como tem pessoas que recebem para escrever asneiras, não é mesmo Rodolfo Borges?!