Ministro assume: “Sou STF Futebol Clube”
Dino e seus pares estão simplesmente a nos dizer: “Que se danem vocês, duzentos milhões de pequenos tiranos soberanos. Porque aqui é nóis!
O corporativismo é uma das inúmeras chagas brasileiras, que aprisiona a nação no atraso e o povo, na miséria. As castas dos Três Poderes são pródigas na arte: unem-se, defendem-se, trabalham para si mesmas e espetam a conta no lombo da sociedade.
Mas não só elas. Por onde se observa, o Brasil é fragmentado em corporações: das menores às maiores e das amadoras às profissionalizadas. E são essas corporações que sugam o leite da vaca-Brasil, deixando-a anêmica na hora de alimentar a plebe.
Empresários, industriais, banqueiros, empreiteiros, trabalhadores privados, funcionários públicos, profissionais liberais, fazendeiros… Como eu disse, por onde quer que se observe somos fragmentados em corporações; e a coletividade que se dane.
Supremo Corporativismo
Que o Judiciário é um dos maiores exemplos, ninguém duvida. Ao contrário. Todo mundo sabe. Nesse sentido, igualmente de conhecimento público e notório, é o nome da mãe de todas as corporações da Justiça brasileira: o Supremo Tribunal Federal.
Não é à toa, portanto, a degradação moral pela qual a sociedade percebe a Suprema Corte de seu país. Aos olhos do povo, a instituição não goza de confiança e de credibilidade, e os ministros são tidos como agentes políticos corruptos.
Tal percepção não é vazia nem caiu do céu. Foi construída após décadas de trabalho árduo de ministros que desonraram o juramento constitucional, abusaram da autoridade, espancaram a Carta e transformaram o Tribunal em balcão de negócios.
Democracia como desculpa
Cinicamente e oportunisticamente, alguns togados passaram a considerar quaisquer críticas a si e a seus colegas como ataque à democracia, como se o STF fosse uma casa intocável, acima do bem e do mal, e seus componentes, deuses sagrados.
Aproveitando-se de fatos reais abomináveis contra o Estado Democrático de Direito, parte do Supremo passou a atuar como ditador e chantagista. Ora atuando em desacordo com a Constituição, ora prometendo o fim do mundo se assim não fosse.
Nos dias atuais, onde o risco de ruptura institucional encontra-se devidamente atrás das grades, o discurso contra quem – sociedade, imprensa, entidades organizadas etc. – vigia, fiscaliza, critica e acusa maus feitos supremos, não encontra guarida.
Mais uma nota infame
O ministro Dias Toffoli foi apanhado com a “boca na botija” no caso Master. Sua atuação pra lá de suspeita, por si só seria insustentável em qualquer democracia minimamente desenvolvida. Com a notícia de que transacionou com Daniel Vorcaro, caiu como jaca madura.
O que poderia ser um sinal de boa-fé do Supremo, contudo, neste caso, tornou-se a mais clara assunção de “brotheragem”. Em mais uma nota indigna, infame, vergonhosa, os magistrados endossaram, tim-tim por tim-tim, tudo o que vem fazendo Dias Toffoli.
Seu afastamento da relatoria do caso ajuda, mas não resolve. Aliás, nem de perto apazigua os ânimos. Mormente porque, repito, uma nota infame, destinada a “passar pano” para o colega, ardeu e foi sentida como um verdadeiro tapa na cara da sociedade.
Um por todos, todos por um
Matéria desta sexta-feira, 13, do Poder 360, traz os diálogos supostamente ocorridos durante a sessão extra de quinta-feira, 12, no STF, que decidiu pelo afastamento do “amigo do amigo de meu pai” da relatoria do caso Master.
Dentre afagos e rapapés mútuos, chama a atenção a declaração sincera de Flávio Dino, amigo de décadas de Toffoli: “… Sou STF Futebol Clube”. Bem, apesar de não causar surpresa, causa espanto. Não pelo que representa, mas pelo que mostra.
Dino e seus pares estão simplesmente a nos dizer: “Que se danem vocês, duzentos milhões de pequenos tiranos soberanos. Porque aqui é nóis! E faremos o que quisermos e quando quisermos, pois somos um time. O Supremo Futebol Clube”.
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