A tornozeleira é o início. A prisão, o epílogo. O abandono, o fim de Bolsonaro
Que viva ainda muitos anos, mas a morte, que chega a todos, lhe encontrará, ao final, completamente triste e abandonado
Passei anos da minha vida profissional, entre o final dos anos 1990 e meados da década de 2010, em um embate de ordem comercial, emocional, familiar e, por que não?, afetiva, que me trouxe momentos de profunda angústia e até mesmo, às vezes, desespero.
Do lado oponente, um ex-afeto primordial em minha jornada de vida até então, que se tornou um carrasco psíquico e uma ameaça real. Um conhecido em comum, certa vez, me disse: “Não vá para o embate direto, pois você jamais conseguirá agir como ele.”
O fim da história me foi, de certo modo, feliz, ainda que com cicatrizes incuráveis. Mas trago este preâmbulo apenas porque diz muito sobre a batalha jurídica – e de ordem pessoal – entre o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Acima do bem e do mal
Sim, o pano de fundo é a democracia brasileira e os possíveis crimes contra ela. Mas os protagonistas atuam à parte neste teatro, que agora ganhou contornos adicionais com a fronteira sendo expandida aos EUA, onde, hoje, uma espécie de Nero é o Manda-Chuva local.
A partir do momento em que Eduardo Bolsonaro se mandou para a América, financiado declaradamente pelo papai-réu, para atuar politicamente – ainda que deputado federal licenciado – junto ao governo trumpista, o ordenamento processual tomou novos rumos.
Uma coisa é Bananinha, eu e qualquer um de vocês, leitores amigos, professarmos nossas opiniões e posicionamentos políticos e ideológicos, aqui ou no exterior, livremente e dentro da lei. Outra, bem diferente, é o que começou a fazer o bolsokid 03 há alguns dias.
Ação e reação
Em postagens sucessivas nas redes sociais e declarações à imprensa, Eduardo Bolsonaro começou a pedir veladamente a prisão de Alexandre de Moraes – “Se ele continuar livre” – e a chantagear o Judiciário brasileiro. Além, é claro, de ameaçar o próprio país (tarifas).
Com uma investigação – até então, a meu ver, arbitrária – em curso contra si, dentre outros motivos por obstrução de Justiça, tudo o que o “fujão” não poderia fazer é exatamente o que está fazendo. Como é bobo, mas não é doido, imagino que o faça de propósito.
Por aqui, de forma claramente orquestrada, o pai reinicia o périplo público contra Moraes e o STF, e incorre em uma sucessão de ilegalidades para um réu criminal. Igualmente, como o filho, sabe o que faz. Ambos entendem o que estão fazendo, e o risco que estão correndo.
O futuro a Moraes pertence
Os Bolsonaro, exceção feita ao senador Flávio – e isso é um elogio -, são “exímios” enxadristas 4D. Tão bons que estão nesta situação: um, fora do país, sem previsão de retorno. E o outro, em contagem regressiva para uma possível bela tranca, por décadas.
Dudu é jovem e certamente já garantiu o futuro nos “States”. Ele não se mandou daqui sem um plano B. Já o “mito”… Bem, esse está literalmente lascado. Politicamente, já vem sendo, pouco a pouco, abandonado. Em breve, será tratado como substância radioativa.
Tão logo seja preso e sua influência política esvaia-se, será esquecido. Ou alguém se lembra, por exemplo, de Daniel Silveira, Carla Zambelli e Roberto Jefferson, ainda que figurinhas muito menores diante do próprio Jair Bolsonaro?
Tchau, querido
O ponto é outro. “Rei morto é rei posto”. Sem poder político, sem atuação nas redes sociais, Eduardo e Jair Bolsonaro serão esquecidos e substituídos por outros. Gente como eles está cheia: Nikolas Ferreira, Cleitinho, Sóstenes… Mas, repito, Dudu está “encaminhado”.
Bolsonaro, não. Irá amargar anos, preso, na cadeia ou em casa, com a saúde física debilitada pela facada, isolamento político e social, e um padrão emocional característico de um “psicopata sociopata esquizofrênico tirânico”, segundo o Dr. Freud Kertzman. Seu fim de vida não será fácil.
A tornozeleira, ora imposta por Moraes, é o começo. A condenação e a consequente prisão, o epílogo. Que viva ainda muitos anos, mas a morte – que chega a todos, conforme ele mesmo disse durante a pandemia – lhe encontrará, ao final, completamente triste e abandonado.
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Comentários (10)
MARCEL SILVIO HIRSCH
21.07.2025 08:42Que mundo o nosso, cheio de líderes com insuficiência mecânica. Faltam-lhes parafusos nos crânios. Piores que eles, só seus seguidores!
Sandra
19.07.2025 21:11Não se deve levar ninguém ao limite, e foi o que as partes fizeram, isso só leva a destruição de um ou até dos 2, o que parece ser este caso.
Clayton De Souza pontes
19.07.2025 15:12Será que o Bolsonaro está refletindo sobre todas as bobagens e até crimes cometidos na sua jornada? Pra mim, acabar com a Lava Jato e contribuir pra reabilitação do descondenado Lula foi um grande erro, ainda que os motivos tenham sido em causa própria também
FRANCISCO JUNIOR
18.07.2025 20:02Não sou tão otimista. A adoração pelo mito é forte, vai durar ainda até ele não existir mais. Ele ainda vai mandar muitos recados pelos advogados ou outros presidiários, ou pela famiglia se for preso em casa.
Fabio B
18.07.2025 17:38Lei do retorno? O Bolsonaro está colhendo ela, kkkkk
PAULO SERGIo SILVA
18.07.2025 15:39Pelo visto, o embate pessoal de duas décadas lhe deixou marcas profundas e ainda não cicatrizadas. Cuidado, a vida é cíclica, e a Lei do Retorno dificilmente falha. O Tempo dirá...
ale
18.07.2025 15:22Ricardo Kertzman, no meu ponto de vista O Antagonista fez uma péssima escolha em contratá-lo, você é muito ruim...
Edy Mary F Ivo
18.07.2025 15:21Pelo visto vc está comemorando. Aguarde a lei do retorno.
Eliane ☆
18.07.2025 15:20Eu fico pensando o que realmente o Lula pensa sobre todos esses acontecimentos. Ele realmente quer a condenação do Jair Bolsonaro? O que Lula ganha, o que ele perde. Será que é realmente o fim do"mito"? Tenho dúvidas, dr Freud Kertzman!
Sérgio Luís stuchi
18.07.2025 14:32Concordo com tudo o que disse sobre Bolsonaro e cia,acho que falta o mesmo brilhantismo para discorrer sobre o mesmo entulho que nos sobra do outro lado. Ou acabou o sua suposta imparcialidade. Lembro do Brizola ,em 1989,no debate da primeira eleição presidencial pós ditadura,” estou entre o diabo e o coisa-ruim,”ao sentar-se entre dois candidatos. Vale a pena conferir quem são. Saudades do Brizola,pelo menos nos divertíamos.