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Lula morde a isca de Flávio

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Rodolfo Borges
5 minutos de leitura 30.05.2026 11:43 comentários
Análise

Lula morde a isca de Flávio

Após constrangerem a oposição com a malandra PEC do fim da escala 6x1, lulistas se enrolam para contrapor discurso sobre facções

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Rodolfo Borges
5 minutos de leitura 30.05.2026 11:43 comentários 0
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Lula morde a isca de Flávio
Foto: Ricardo Stuckert / PR
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O governo Lula (foto) conseguiu empurrar para a aprovação na Câmara dos Deputados a malandra e irresponsável PEC do fim da escala de trabalho 6×1. A delirante proposta recebeu votos até de boa parte da oposição, que não encontrou um discurso para contrapor a ilusão de melhoria.

Mesmo sem fazer sentido, a promessa de reduzir um dia de trabalho em todos os setores com a manutenção dos salários — e com a implementação apressada das mudanças, a tempo de os políticos colherem os potenciais dividendos ainda na eleição deste ano — se impôs do ponto de vista narrativo. Quem não quer trabalhar menos e ganhar o mesmo (ainda que não haja garantia disso)?

Pois o troco veio com a designação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho (CV) como terroristas pelos Estados Unidos. O governo americano diz que a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Donald Trump nesta semana não tem nada a ver com a decisão, mas boa parte da oposição era a favor disso, e o governo Lula impediu que o mesmo ocorresse no Brasil.

Mordendo a isca

Ao reagir de forma crítica à decisão dos americanos, Lula, que já não estava em condição de falar do assunto por conta de suas declarações desastradas sobre o crime, ainda tropeçou nas palavras.

Como se opor a algo que é interpretado como um aumento de rigidez contra grupos que tomaram o lugar do Estado em boa parte do país sem parecer discursar a favor das facções?

“Estou muito triste hoje, com a notícia de que o secretário [de Estado] dos Estados Unidos da América do Norte, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, discursou Lula.

Flávio não deixou passar a expressão “nossos criminosos”. E as declarações do petista sobre o assunto foram ainda piores do que isso. Lula disse que as facções criminosas “são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia deste país”.

“Porque eles incomodam famílias, eles incomodam o bairro, eles incomodam a cidade, eles roubam tudo o que têm o direito do povo, o direito do povo viver livremente. Então, eles são terroristas, e nós vamos combater eles aqui dentro. Nós aprovamos uma Lei Antifacção e aprovamos a lei de combate ao crime organizado e vamos combater. Eles não são os terroristas que o Trump quer. O Trump quer o Osama Bin Laden não sei das quantas e nós queremos os terroristas que estão lá”, disse Lula.

São terroristas?

O que o presidente não disse é que seu governo atuou para tirar do PL Antifacção a proposta de designar as facções criminosas como terroristas, por receio de que grupos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fossem atingidos pela mudança.

É nesse contexto que os lulistas terão muito trabalho para não soar favoráveis às facções criminosas ao tentar convencer a população com seu discurso de defesa da soberania nacional, muito mais fácil de emplacar no contexto do tarifaço, que foi imposto ao país inteiro, e não apenas a criminosos.

Além de tudo, segurança pública é a maior entre as várias fraquezas de Lula, que já tinha se enrolado na reação à Operação Contenção, no Rio de Janeiro, deflagrada contra o domínio territorial do CV, dias depois de culpar os usuários de drogas pelo destino dos traficantes.

E a asfixia financeira?

Ao tentar desenrolar esse nó, os governistas se abraçaram à Operação Carbono Oculto e ao argumento de que a melhor forma de combater as facções é asfixiá-las financeiramente.

O problema é que essa é exatamente uma das grandes vantagens de designar PCC e CV como terroristas: aumentar a rigidez com as instituições financeiras utilizadas por elas.

Ou seja, ao se contrapor ao governo americano, os lulistas correm o risco até de perder o débil discurso que tinham encontrado para se defender das acusações de leniência com o crime.

Sempre ao acaso

Assim como Flávio perdeu terreno nas últimas semanas com a revelação de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, grande patrocinador do desastrado filme Dark Horse, é de se esperar que Lula também se machuque com o reforço da impressão de que alivia para os criminosos.

Como de costume, o petista dependerá do acaso para se salvar dessa. Mas ele precisaria que os americanos fizessem algo como aproveitar o ensejo para atingir o incômodo Pix de alguma forma, como sugeriu abertamente o governo Lula na nota oficial de reação à decisão americana.

Por enquanto, o saldo dessa história é positivo para Flávio, que conseguiu aproveitar sua visita a Trump bem melhor do que Lula, outro que foi tentar se recuperar de derrota dentro da Casa Branca.

E assim deve seguir a campanha entre os dois maiores zumbis presidenciais deste ano.

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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