Lula vende terreno na Lua para o trabalhador
Os principais corretores desse perverso e irresponsável truque do fim da escala de trabalho 6x1 são Erika Hilton e Hugo Motta
Não se deve normalizar sob nenhum aspecto a aprovação da PEC do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados. A alegação cínica de melhorar a vida do trabalhador brasileiro serve para patrocinar mudanças que muito provavelmente vão piorar a vida do trabalhador brasileiro.
Os autores da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nem sequer se esforçaram para embasá-la com dados que indicassem a mínima viabilidade ou levaram em conta as consequências maléficas de alterações tão irresponsáveis no regime de trabalho no Brasil — ninguém no mundo regula a escala de trabalho dessa forma, porque cada ofício tem seus próprios horários e dinâmicas.
Estima-se que a entrada em vigor da PEC vai resultar na perda de 600 mil a 1,5 milhão de empregos formais. Espera-se também algum impacto na inflação, porque a manutenção dos salários por menos tempo de serviço tem um custo que provavelmente será repassado aos consumidores.
Eleições
Para piorar, o trâmite legislativo foi apressado e a implementação prevista para as mudanças é muito curta, para que os responsáveis pela aprovação possam colher os frutos ainda na eleição deste ano.
O desesperado governo Lula espera dividendos eleitorais para o impopular presidente, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) tenta se estabelecer como referência na esquerda e Hugo Motta (Republicanos-PB) aposta na pauta para salvar sua débil presidência na Câmara,
Além de tudo isso, as alterações, que ainda têm de ser analisadas pelo Senado antes de entrar em vigor, impactam o serviço público de uma forma mais branda, com mais tempo para a implementação das mudanças, e o mercado privado de outra, o que deixa claro a péssima impressão que os lulistas têm dos empresários brasileiros, tratados pela esquerda nacional como vilões.
Bagunça
A bagunça é tão grande que essa história vai acabar inevitavelmente parando na Justiça, ampliando a insegurança jurídica que tinha sido solucionada em grande parte pela reforma trabalhista de 2017.
Os lulistas espalham, agora, a lista dos poucos deputados que tiveram coragem de votar contra a pauta eleitoreira. Mas esses parlamentares devem ser exaltados por essa posição.
O sociólogo José Pastore disse em entrevista à CNN Brasil na quinta-feira, 27, que quem votou a favor da PEC do fim da escala 6×1 ontem vendeu um terreno na Lua para os trabalhadores brasileiros. E quem se arriscar a se mudar não terá sequer emprego para se sustentar por lá.
Leia mais: ‘Agência Lula’ faz propaganda pelo fim da escala 6×1
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Comentários (1)
Luis Eduardo R. Caracik
28.05.2026 13:35Tenho 71 anos. Em meu tempo de vida vivenciei por dois momentos mudanças na carga horária de trabalho. Primeiro de 48 para 45 horas por semana. Depois de 45 horas para 44 horas. Lembro perfeitamente da Fiesp apregoando o fim do mundo que isso ia provocar. Não aconteceu nada. Nenhum dos terríveis impactos previstos aconteceu. Ao contrário: os trabalhadores ganharam mais tempo inclusive para consumir mais, seja produtos materiais, lazer ou educação. Concordo que é uma medida fora de hora e eleitoreira. Mas não é o fim do mundo.