Governo Lula ressuscita fake news sobre as “fake news do Pix”
Secretário da Receita Federal volta a fingir que o governo recuou de monitoramento por mentiras sobre o Pix, mas o problema sempre foi o próprio governo
Na esteira da Operação Carbono Oculto, que investiga esquemas do PCC, o governo Lula tenta empurrar para as alegadas “fake news do Pix” a culpa pela atuação do crime organizado no Brasil.
O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas (foto), disse que a operação contra a atuação do PCC no setor de combustíveis mostra que “independentemente das intenções, as pessoas que espalharam aquelas fake news, aquelas mentiras no início do ano, ajudaram o crime organizado”.
Barreirinhas se refere ao recuo do governo na instrução normativa que expandia o monitoramento do Pix para movimentações mensais acima de 5 mil reais. O problema é que o governo não teve de recuar por causa das mentiras, cuja influência, aliás, nunca foi detalhada pelo Executivo, mas das verdades que circulavam sobre suas intenções.
“Publicamos essa instrução em setembro do ano passado para valer a partir de janeiro. O que aconteceu em janeiro, todos nós sabemos. A Receita Federal recebeu o maior ataque da história dela de mentiras de fake news, dizendo mentirosamente que aquela instrução normativa tratava de tributação de meios de pagamento. Essas fake news foram tão fortes que, apesar de todo o esforço da Receita Federal ajudada, diga-se, pela mídia tradicional aqui do Brasil, nós não conseguimos reverter essas mentiras, por conta da força de quem as impulsionava, o que já estava, inclusive prejudicando o uso dos meios de pagamento instantâneo”, reclamou o secretário da Receita.
Lula reforçou a mensagem em entrevista nesta sexta-feira, 29, ao reclamar do vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) que levou o governo a voltar atrás no monitoramento do Pix:
“Aliás, por falar em mentira, você viu que um deputado, [de[ que eu não vou dizer o nome dele aqui, fez uma campanha contra uma mudança que a Receita Federal tentou fazer, que vai ter feito agora… Porque, naquele tempo, a mudança era para combater o crime organizado. E nós, agora, vamos colocar Fintechs com apuração mais rígida, porque nós descobrimos que tem muita gente ligada ao crime organizado. E outro: nós fizemos a operação mais importante da história de 525 anos do Brasil para pegar, como diz o Haddad, o andar de cima. Porque, por enquanto, só ia o andar de baixo. Agora, nós queremos saber quem é que, efetivamente, faz parte do crime organizado.”
Intenções
Mas uma pesquisa do instituto AtlasIntel divulgada em fevereiro indicou que 58,4% dos brasileiros entenderam que o objetivo do monitoramento das movimentações do Pix acima de 5 mil reais por mês era “fiscalizar o devido pagamento de impostos e combater a lavagem de dinheiro”.
Apenas 16,7% dos 3.125 consultados de 27 a 31 de janeiro interpretaram que o objetivo da medida era “taxar as transações realizadas via Pix”, a alegada fake news. Outros 24,8% disseram que enxergaram outros motivos ou não sabiam responder.
O problema nunca foi o monitoramento, mas a desconfiança em relação a um governo perdulário, que, desde que começou, em janeiro de 2023, está atrás de mais dinheiro para gastar — sob a alegação de melhorar a vida da população, mas com o objetivo de melhorar a popularidade de Lula.
A cartada mais recente do governo para botar a mão mais fundo no bolso do contribuinte foi utilizar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que existe para regulação, para aumentar a arrecadação, com o auxílio de uma controversa decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Enfim, a população brasileira não precisa de fake news para desconfiar desse governo.
Leia mais: Governo usa operação contra PCC para ampliar monitoramento do PIX
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Comentários (1)
Ana Amaral
29.08.2025 13:07O esquema da organização criminosa dura , ao menos, mais de duas décadas. E foi o vídeo de Nikolas sobre o PIX que ajudou. Muito descaramento . E não há uma linha sobre a circunstância de uma das empresas flagradas manter um instituto de pesquisa eleitoral , cujos resultados são sempre favoráveis ao governo federal.