Governo Lula perde o fôlego (literalmente)
As reclamações esbaforidas do senador Rogério Carvalho contra a aprovação da 'mini-CPI' dos Correios são um retrato perfeito do governo Lula no Congresso Nacional
Enquanto o Brasil acompanhava o julgamento de Jair Bolsonaro pela trama golpista, o governo Lula levava outra rasteira no Congresso Nacional.
Depois de sofrer uma virada aos 45 minutos do segundo tempo na instalação da CPMI do INSS, os governistas permitiram à oposição criar uma mini-CPI para investigar os Correios, estatal que mal conseguem pagar as próprias contas depois de ter sido retirada por Lula dos planos de privatização.
Assim como ocorreu na CPMI do INSS, a base do governo Lula chegou atrasada à audiência da Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle (CTFC) do Senado na quarta-feira, 3, com o requinte de crueldade de que o atrasado senador Rogério Carvalho (PT-SE, foto) protestou esbaforido contra a aprovação da proposta de fiscalização e controle dos Correios.
“Eu vim correndo, porque a sessão abriu e eu, foi o tempo de chegar aqui. O senhor colocou em votação, aprovou sem dar o direito, antes da votação, de a gente se manifestar. Isso é uma manobra clara de atropelar o processo, para não ter debate, como tudo que representa o que vocês representam, o 8 de janeiro, a tentativa das urnas, a busca para anistia para quem cometeu crime, ou seja, isso, presidente, é uma vergonha para o Congresso Nacional e para o Senado da República”, reclamou Carvalho, enquanto tentava retomar o fôlego.
“Portanto, eu não tenho mais que discutir. O senhor já aprovou. Uu vou encaminhar uma questão de ordem à Mesa Diretora do Senado, levantando todas as inconsistências que tem nessa proposta de fiscalização, porque extrapola, entra em empresas privadas, que não é competência desta comissão, não é uma comissão parlamentar de inquérito, é uma comissão que tem por obrigação fazer a fiscalização de órgãos da administração direta e indireta. Não pode extrapolar, para cada convocação tem que ter um requerimento específico, e, aqui, tem uma construção total, ampla e de indefinição e dos requerimentos que devem ser aprovados individualmente”, completou o senador petista.
Desembarque e emendas
A nova derrota ocorreu na mesma semana em que o maior bloco parlamentar anunciou seu desembarque do governo. Ainda que nem todo mundo queira sair, como o ministro do esporte, André Fufuca, que desafiou a ordem do PP para entregar o cargo, a debandada reforça a fraqueza de Lula, que tenta, ao mesmo tempo, conter a aprovação de anistia para Jair Bolsonaro e companhia.
O governo empenhou 2,2 bilhões de reais para pagar emendas Pix no segundo dia de julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). É o primeiro lote de emendas liberado após as mudanças determinadas pelo ministro Flávio Dino nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) que questionam os repasses a deputados e senadores.
A mediação de Dino, que é enxergada no Congresso como favorável a Lula, não tem sido o bastante, contudo, para conter as sucessivas e expressivas derrotas dos governistas no parlamento.
Apesar da mãozinha do tarifaço de Donald Trump para a popularidade do presidente, o fôlego do governo já acabou, e ainda falta mais de um ano para o terceiro mandato do petista terminar.
Leia mais: Bolsonaro mascara fraqueza de Lula
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Comentários (3)
Angelo Sanchez
04.09.2025 12:57Governo burro é este do "descondenado" e todos os governistas (petebas) que em vez de promover a paz social e trazer o seu lado uma grande parte dos opositores derrotado ou pelo menos acenar pela anistia daqueles que não vandalizaram no passeio em 08 de janeiro, pelo contrário põem mais lenha na fogueira.
F-35- Hellfire
04.09.2025 12:49Gostaria que o governo Lula, em vez de perder o folego, deixasse de respirar, junto com sua camarilha, bajuladora, corrupta e incompetente!
Annie
04.09.2025 11:25PT tem medo do que? Quem não deve não teme.