Como a oposição conseguiu aprovar ‘mini-CPI’ dos Correios
Grupo aproveitou atraso de senador petista para fazer avançar requerimento de instalação
A Comissão de Fiscalização e Controle (CTFC) do Senado aprovou na quarta-feira, 3, um requerimento para instalar uma espécie de ‘mini-CPI’ dos Correios para apurar possíveis irregularidades na gestão da estatal.
A aprovação, no entanto, ocorreu devido a um atraso do senador Rogério Carvalho (PT-SE, foto).
Quando chegou na comissão, o petista perguntou: “Eu tinha uma questão de ordem sobre essa questão. Já votou?”
“Eu vim correndo. Vossa excelência abriu sumariamente e botou em votação, sem que a gente tivesse o direito de se manifestar, numa manobra clara […] de atropelar o processo para não ter debate”, acrescentou o senador por Sergipe, ainda sem fôlego pela correria.
Os atrasos do governo Lula
O atraso do senador Rogério Carvalho não foi o único na história recente do Congresso com a possibilidade de custa caro para o governo.
Em agosto, o governo Lula comeu mosca e perdeu a presidência e a relatoria da CPMI do INSS, que começou os trabalhos, convocando ministros e ex-presidentes do instituto.
Contando com a indicação do senador Omar Aziz (PSD-AM) para a presidência do colegiado e o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) como relator, os governistas não foram tão pontuais, conforme publicou a Piauí.
Segundo a revista, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, chegou às 11h10, quando a sessão já havia sido aberta.
Outros chegaram depois.
Com 17 votos, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi eleito presidente da CPMI do INSS.
Omar Aziz recebeu 14.
A oposição
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), contou no programa Meio-Dia em Brasília como liderou a estratégia da oposição para reverter uma derrota que parecia certa.
“Eu fui chamado na sala da liderança do PL pelos deputados indicados para a CPMI. Eles me chamaram para pedir conselhos: ‘Você tem mais mandatos que a gente, qual conselho?’ Eu fui para a reunião muito desanimado. Era 8h30 da noite no dia anterior [à instalação da comissão], falei: ‘Olha, honestamente, já está jogo jogado, isso vai terminar em pizza. Fui muito desanimado”, contou Sóstenes.
Segundo o líder do PL, foi o deputado Zé Trovão (PL-SC) que mexeu com seus brios.
“Ele é membro da CPMI e falou: ‘Sóstenes, você é pastor. Você está pior do que Tomé, você não acredita em algum milagre?’ Eu falei: ‘Meu amigo, neste caso só milagre, porque eu conheço esta Casa, eu conheço CPMI, eu já participei de três CPIs do meu primeiro mandato, não quero mais participar de CPI, eu sou candidato a legislador, não sou candidato a juiz nem promotor.’”, contou o deputado, seguindo:
“Naquela conversa, eu entendi que poderia. ‘Deus está dando uma chance de usar o Zé Trovão para me chamar atenção, para algo que eu não tinha observado’. Nisso, eu pedi a meu chefe de gabinete que me trouxesse a composição da CPMI, e, aí, eu comecei ver as pessoas e mapear votos. Identifiquei que a gente tinha uma chance, a única chance era lançar uma candidatura avulsa que fosse competitiva para ganhar. Saí dali e falei: ‘Vocês confiam em mim? Eu não vou falar o que vou fazer, porque conversa de político, para dois, já vaza para a imprensa’.”
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Comentários (1)
Angelo Sanchez
04.09.2025 13:26Quando será que o Congresso vai criar uma CPI para investigar alguns Ministros do Supremo que perseguiram Bolsonaro em plena campanha que acabou sendo prejudicado e perdendo por poucos votos a eleição presidencial???