A peregrinação de Messias
O caminho para Messias chegar ao STF será traçado ao longo do percurso, e por parâmetros que não seguem exatamente critérios jurídicos ou ideológicos
Jorge Messias (à direita na foto, com a senadora Eliziane Gama) começou sua peregrinação pelo Senado em busca de apoio para ver referendada sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Contrariado pela escolha de Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) deu pouco tempo ao advogado-geral da União, e o governo tenta ganhar mais uns dias.
Alcolumbre marcou a sabatina para 10 de dezembro, mas o governo Lula ainda não encaminhou formalmente a indicação ao Senado, e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), já falou em adiar o cronograma.
A peregrinação de Mendonça
Curiosamente, o mesmo Alcolumbre manteve André Mendonça esperando pela sabatina para o STF por quatro meses em 2021. Ele era presidente da CCJ do Senado na época. Indicado em 13 de julho daquele ano por Jair Bolsonaro, Mendonça só viria a ser sabatinado em 1º de dezembro.
Outra curiosidade: apesar de ter sido indicado por Bolsonaro, Mendonça atua por Messias, que, apesar de ter sido indicado por Lula, tem na religião evangélica uma proximidade com o colega.
O tempo que o indicado de Bolsonaro teve de esperar é bem diferente dos pouco mais de 10 dias concedidos para a romaria de Messias pelos corredores do Senado, mas a lógica é a mesma.
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O caminho
Já se comenta que o incômodo de Alcolumbre com a não indicação do colega de Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) pode ser aplacado com os cargos da Caixa Econômica Federal que o governo tirou de antigos aliados do Centrão.
A situação de Messias não é fácil, como Alcolumbre fez questão de deixar claro, ao marcar a sabatina para data próxima, e também por conduzir a aprovação de uma pauta-bomba e pautar a derrubada dos vetos de Lula ao licenciamento ambiental, num batalhão de rccados.
Mas o caminho para Messias sentar na cadeira deixada antes da hora por Luís Roberto Barroso no STF será traçado ao longo do percurso, de acordo com os parâmetros de quem será responsável por sabatiná-lo no Senado, e esses parâmetros não seguem exatamente critérios jurídicos ou ideológicos.
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Comentários (1)
Andre Luis Dos Santos
27.11.2025 17:04No Brasil, tudo é sempre muito republicano.