Lula quer Messias no Ministério da Justiça
Indicação seria retaliação à rejeição do nome do atual advogado-geral da União pelo Senado Federal
O presidente Lula indicou a aliados nesta quinta-feira, 30, que estuda nomear Jorge Messias (foto) para o Ministério da Justiça como uma espécie de prêmio de consolação após o atual advogado-geral da União ter sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitada pelo Senado.
Uma futura nomeação também seria uma forma de afrontar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após a derrota histórica do governo Lula. Desde o século XIX, uma indicação ao STF não havia sido rejeitada pelo Senado.
Depois de ter a indicação ao STF rejeitada pelo Senado, Messias disse ao presidente Lula (PT) que irá deixar a Advocacia-Geral da União, segundo O Globo.
Citando fontes que acompanharam a conversa, o jornal noticiou que Messias afirmou ao presidente não ter condições de lidar com integrantes do Congresso e do STF “que trabalharam ativamente contra sua nomeação”.
Lula pediu ao advogado-geral da União que pensasse melhor sobre o pedido de demissão durante o feriado.
Ele, no entanto, segue firme com a decisão.
Leia em Crusoé: Rejeição histórica
Rejeição de Messias
Messias foi rejeitado por oito votos de diferença, com 42 contrários e 34 favoráveis à indicação.
Antes da votação no plenário, a indicação feita por Lula havia sido aprovada pela CCJ do Senado, por 16 votos a 11.
O placar no colegiado foi concluída após sabatina, em que Messias falou sobre diferentes temas.
Ele disse que o 8 de janeiro de 2023 “foi um dos episódios mais tristes da história recente“. Segundo o parlamentar ainda, os atos daquela data fizeram “muito mal ao país“.
O sabatinado se manifestou contra o aborto, a favor da liberdade de imprensa e até criticou abus do Poder Judiciário. Ao menos dois ministros do governo acompanharam a sabatina presencialmente: José Múcio, da Defesa, e Wellington Dias, do Desenvolvimento Social.
Articulações
Lula indicou Messias ao STF em novembro do ano passado, na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, mas a mensagem presidencial com a indicação só chegou ao Senado em 1º de abril deste ano.
O governo federal demorou quatro meses para enviar a indicação ao Senado, após a publicação dela no Diário Oficial da União. O Executivo aproveitou o tempo para tentar uma maior aceitação do nome de Messias entre os senadores. Ainda assim, o indicado enfrentou bastante resistência.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), preferia que o petista tivesse indicado o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Como mostramos, nas conversas com senadores na manhã de quarta, Alcolumbre liberou seus aliados a votar contra a indicação de Jorge Messias.
O presidente do Senado se demonstrou extremamente incomodado com movimentos protagonizados por Messias e alguns de seus aliados, como o ministro do Supremo André Mendonça. O parlamentar se irritou com o vazamento da informação sobre o encontro secreto tido entre ele e Messias na residência do ministro Cristiano Zanin na semana passada. Para Alcolumbre, teria sido o próprio Messias o responsável pelo vazamento da informação.
Outro movimento que incomodou o parlamentar amapaense foi a pressão de pastores evangélicos aos demais senadores. Esse movimento entre os evangélicos é liberado por André Mendonça. Para Alcolumbre, o ministro do STF tentava emplacar o aliado como forma de vingança pelo tempo em que ele, Mendonça, precisou esperar para ser sabatinado.
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