Crusoé: Futuro indefinido
Partido que já teve três presidentes, MDB perde protagonismo nacional e pena para definir posicionamento para eleições
O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) celebrou seu aniversário de 60 anos no último dia 24 de março, num momento de perda de protagonismo nacional e sem saber ainda qual será seu posicionamento na eleição presidencial de 2026.
A tendência é que o partido que já teve três presidentes da República — José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer — não tenha candidato ao posto neste ano nem apoie alguém oficialmente. O martelo só será batido na convenção nacional da sigla, entre julho e agosto. “O MDB vai tomar essa decisão em convenção nacional, em que os diretorianos e os convencionais vão se manifestar. O MDB é um partido que não tem dono. Portanto, é um partido que depende do resultado da convenção“, afirma o líder da legenda no Senado, Eduardo Braga, do Amazonas.
A sigla do Centrão tem representantes de todos os segmentos da política, em parte porque nasceu na ditadura militar como uma frente ampla de oposição. Nessa época, o MDB fazia contraponto à Arena com políticos de renome. Entre eles estava Ulysses Guimarães, que ficou conhecido como o Senhor Diretas e depois conduziu a Assembleia Constituinte de 1988. Outros nomes importantes foram Franco Montoro, Pedro Simon e Márcio Moreira Alves. Esse último foi quem fez um discurso no Congresso em 1968, incitando a população a boicotar o 7 de Setembro e a não frequentar os bailes militares. O ato de ousadia levou à decretação do AI-5. Como nasceu para ser o representante da diversa população brasileira contra um governo autoritário, o MDB sempre foi aberto à diversidade ideológica, tanto que o regulamento do partido estabelece que a divergência é um direito do filiado. Essa característica se mantém, o que leva o partido a ser muito criticado por falta de posicionamento e por estar à mercê de caciques locais.
Segundo Eduardo Braga, na convenção a sigla terá um “amplo debate” para decidir qual postura adotar na eleição presidencial deste ano. Em 2022, a legenda decidiu lançar a candidatura de Simone Tebet ao Planalto. Derrotada no primeiro turno, ela apoiou Lula no segundo. Depois, tornou-se ministra do Planejamento e Orçamento do terceiro governo do petista. Outros dois nomes do MDB também compuseram a Esplanada de Lula: Jader Filho, titular da pasta das Cidades, e Renan Filho, titular da pasta dos Transportes.
No início de março, dezesseis diretórios estaduais do partido defenderam, em manifesto conjunto dirigido ao presidente nacional, deputado Baleia Rossi (SP), que a sigla fique independente na eleição presidencial de 2026. O texto foi assinado ainda pelo ex-presidente nacional do MDB José Fogaça e outros filiados. “No atual momento, com a proximidade do processo eleitoral, assistimos ao aumento de especulações quanto ao posicionamento do MDB frente à disputa pela Presidência da República…
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