Fachin e Master: de onde menos se espera, daí é que não sai nada

24.01.2026

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O Antagonista

Fachin e Master: de onde menos se espera, daí é que não sai nada

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Ricardo Kertzman
5 minutos de leitura 23.01.2026 15:18 comentários
Análise

Fachin e Master: de onde menos se espera, daí é que não sai nada

Confesso que fui ingênuo e, ao pedir que o senhor e seus pares se manifestassem, esperava algo minimamente coerente e moralizador

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Ricardo Kertzman
5 minutos de leitura 23.01.2026 15:18 comentários 2
Fachin e Master: de onde menos se espera, daí é que não sai nada
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A ferramenta de buscas da Google – sim, ainda a utilizo, pois detesto outras formas de IA – me socorre: Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895-1971), também conhecido por Apporelly e pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé, foi um jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político brasileiro.

Dentre suas célebres frases – conhecidas até hoje -, “De onde menos se espera, daí é que não sai nada”, ilustra bem minha falsa expectativa. Em verdade, minhas inúmeras súplicas, feitas com relativa frequência, em público, desde que eclodiu o escândalo do banco Master e o envolvimento de ministros do STF.

Há dias, venho cobrando uma manifestação dos demais magistrados, a respeito de Dias Toffoli – e os inúmeros eventos relacionados ao caso – e Alexandre de Moraes – o contrato multimilionário entre sua esposa e Daniel Vorcaro -, já que ambos continuam silentes perante os questionamentos e à opinião pública.

Quem cala, consente

Tenho dito e repetido, à exaustão, que não se trata mais de um ou dois ministros – ou três, se considerarmos Gilmar Mendes e seu histórico de polêmicas -, mas da própria Suprema Corte, que, hoje, tem sua reputação e credibilidade em frangalhos perante à sociedade, justamente por tudo o que vem ocorrendo relacionado ao Master.

A mim não me parecia crível, nem muito menos indicado, que os demais capas pretas permanecessem calados, mormente porque seus nomes seriam diretamente tratados como, no mínimo, coniventes. E mais: seus próprios cargos estariam ameaçados diante de uma hipotética debacle do Supremo – cada vez mais real.

Eis que, em primeiro e açodadíssimo momento, reajo com alguma alegria ao saber que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, havia publicado uma nota. Mas, como – recorrendo a outra frase popular – “Alegria de pobre dura pouco”, sou, para não variar, surpreendido negativamente com o teor de seu posicionamento.

Filme velho e repetido

De forma espantosa até para os padrões supremos, Fachin não apenas não criticou os eventos envolvendo Moraes e Toffoli, como saiu em defesa do último. Pior. Fachin recorreu à velha, manjada e surrada desculpa, ou melhor, acusação, de que as críticas são uma tentativa de ataque ao Supremo e sua (qual?) reputação.

Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito”. Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo diria: “Cuma”? Perdoe-me, ministro, mas: vá plantar batatas! 

Que papinho furado é esse, excelência? Recorrer a inimigos imaginários e à salvação da democracia, neste caso, é que não cola mesmo. Xandão usou e abusou de tal expediente – não sem alguma, ou muita, razão – no combate ao golpismo bolsonarista. Mas o que o Master e dois colegas seus têm a ver com isso?

Lero lero enfadonho

Não obstante, a história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que isso aconteça”. Sério, ministro Fachin? Que bom! Então que o Supremo, em colegiado, comece a atuar nesse sentido, e não no oposto, de blindagem.

O Supremo fez muito no Brasil em defesa do Estado de direito democrático; fará ainda mais. Sim, todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas, isso sempre, mas jamais destruídas. Quem almeja substituir a ousada pedagogia da prudência pelo irresponsável primitivismo da pancada errou de endereço.

Em primeiro lugar, o que – e se – fizeram, como ministros, não foi favor, mas obrigação. Novamente: quem está tentando destruir as instituições? A imprensa, a opinião pública, os fatos? Porque é a realidade que salta aos olhos, Excelência, e não este seu juridiquês vazio, patético, mais raso que um pires.

Sabe de nada, inocente

Não, ministro. Dessa vez não são bolsonaristas fanáticos querendo fechar ou destruir a Suprema Corte e derrubar, na marra, ministros. Não são aloprados golpistas tentando extirpar o Estado Democrático de Direito. Ao contrário. São – como eu! – brasileiros atônitos, tentando justamente o contrário: salvar a democracia.

Sim, porque um Supremo Tribunal Federal sem qualquer credibilidade é a porta de entrada para uma futura autocracia ou ditadura. Ou os senhores pensam que a parte democrática da sociedade brasileira, onde me incluo, sairá em defesa de uma estrutura totalmente suspeita, que nem sequer satisfação à população se presta a dar?

Confesso que fui ingênuo e, ao pedir que o senhor e seus pares se manifestassem, esperava algo minimamente coerente e moralizador. Mas desconsiderei o histórico e o Barão de Itararé. De fato, de onde menos se espera, é de onde não sai nada mesmo. O senhor e sua nota esdrúxula apenas reforçaram a sabedoria popular.      

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Ricardo Kertzman

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Comentários (2)

Luis Eduardo R. Caracik

24.01.2026 10:04

Quanto ao Ministro Toffoli, nem é preciso comentar muito. Caso claro de pessoa errada no cargo errado. Quanto ao Ministro Moraes, abro uma exceção: tem preparo, tem experiência, tem coragem e ousadia e é firme. Não é um conciliador e nem é de por panos quentes. Reporto-me à sua postura diante da sanção Magnitisky. Ficou firme, não se acovardou, não esperneou, não reclamou, não politicou até que que a sanção foi embora. Quanto ao famoso contrato ente o escritório da esposa, e para quem tem um mínimo de experiência empresarial, acho muito difícil acreditar que mesmo no mundo louco de Vorcaro e seus asseclas, se contrate um escritório de duas pessoas para fazer não se sabe o que, pagando honorários fixos de R$ 3 milhões por mês, ainda mais pertencendo este escritório à esposa e filho do ministro. Altamente improvável, mas não impossível. Pergunto: algum jornalista viu este contrato? Está registrado ou documentado em algum lugar? Alguém pôs as mão nele? Ou será mera criação de contra ataque ou tentativa criativa de vingança dos prejudicados por atos de Moraes? Como na época da Magnitisky, Moraes nada fala, nada diz, nada nega e não politiza. Será que este contrato existe mesmo? Voltando um instante ao Ministro Toffoli, suas decisões e seus atos já lhe renderam uma tatuagem na testa, que nem a laser pode ser removida. Mas é amigo de muito amigos de outros amigos...


Nelson Lemos Costa

23.01.2026 18:22

Por favor, leiam a matéria https://www.conjur.com.br/2026-jan-23/carta-a-uma-jovem-magistrada/, onde Sua Excelência escreve carta à "Jovem Magistrada".


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