Flávio Bolsonaro será mesmo candidato à Presidência?
Não reconhecer a força do bolsonarismo - ainda que restrito a cerca de 15% do eleitorado - é negar a realidade
O apego sincero que o clã Bolsonaro jamais demonstrou pelo país e os brasileiros – a despeito do bordão “Deus, Pátria e Família” -, haja vista a trajetória política dos membros, a tentativa de golpe de Estado pelo patriarca e a investida feroz do deputado EAD, Eduardo Bolsonaro, a partir dos EUA, contra a economia nacional, mostra-se cada vez mais real e voraz.
Desde que a inelegibilidade do “mito” se consumou, ainda que não judicialmente decretada, os Bolsonaros passaram a investir ferozmente contra quaisquer pré-candidatos à Presidência da República, inclusive aliados próximos – e puxa-sacos de primeira hora – como os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Romeu Zema (Minas Gerais).
Mas não só eles. Ratinho Júnior (Paraná) e Ronaldo Caiado (Goiás) também sentiram o fel amargo do rancor egocêntrico da família, assim como o deputado federal mineiro, Nikolas Ferreira. E ainda, tantos aliados ao longo dos anos – Gustavo Bebianno, Alexandre Frota, Joice Hasselmann, General Santo Cruz, Sergio Moro – que tornaram-se “malditos”.
O senador do chocolate
Recentemente, Michelle Bolsonaro foi alvejada pelos bolsokids por conta de suas declarações sobre a política cearense, afinal, não apenas não é a mãe da rapaziada como jamais foi aceita pela “prole problema”. O certo é que, para os Bolsonaros, nem entre eles alguém será tratado como um Bolsonaro – haja vista as mensagens entre pai e filho.
Por isso, não espanta nem surpreende a pré-candidatura “plantada” na imprensa, nesta sexta-feira, 5, de Flávio Bolsonaro – aquele da mansão milionária em Brasília comprada com os rendimentos em dinheiro vivo da venda de panetones de chocolate – ao Planalto, em 2026. A questão é: será para valer ou mero balão de ensaio?
Todas as pesquisas eleitorais mostram que qualquer um com o sobrenome Bolsonaro parte de um piso de intenção de votos bastante alto. Contudo, o teto de rejeição é elevadíssimo – equivalente ou superior ao do próprio presidente Lula -, o que, em tese, inviabiliza uma candidatura. Em segundo turno, todos os Bolsonaros perdem para o chefão do PT.
Para vender na alta
É comum na política, sobretudo em eleições majoritárias, este tipo de anúncio. Para o pré-candidato é um jogo de ganha-ganha, pois ou vende a candidatura, à frente, bem caro, ou troca o apoio, em segundo turno, por cargos e secretarias/ministérios, além de projetar-se eleitoralmente e obter o chamado “recall” em eleições futuras.
No caso de Flávio Bolsonaro, há um elemento a mais: a possibilidade de compor uma chapa, como candidato a vice-presidente, em oposição ao lulopetismo. Mas não só: Flavinho Wonka, assim, será o líder da oposição a Lula, caso este seja reeleito. Ou seja, o movimento lhe é extremamente favorável, ainda que remoto ou mesmo falso.
Não reconhecer a força do bolsonarismo – ainda que restrito a cerca de 15% do eleitorado – é negar a realidade, haja vista o favoritismo de Carlos Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina. De igual sorte, anunciar que Lula não vencerá em 2026 é mais torcida que fato. Lulismo e bolsonarismo, infelizmente, são forças políticas reais e, hoje, dominantes.
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