Bolsonaro está condenado e o Brasil não acabou
A sociedade, ontem, preferiu assistir futebol. É sinal que a democracia, com todos seus defeitos, ao menos por ora, sobreviveu
Jair Bolsonaro foi condenado na quinta-feira, 11, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado. O processo, a Ação Penal 2668, trata da chamada “trama golpista”. O placar foi de 4 a 1: Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin votaram pela condenação; Luiz Fux, isolado, absolveu. Como a ação corre no Supremo, não cabe recurso a outra instância, apenas possíveis embargos.
A acusação engloba crimes como organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Nunca, em 200 anos de República, um ex-presidente havia sido sentenciado por planejar o fim da democracia. Ao seu lado, outros réus do chamado “núcleo crucial”: Braga Netto, Augusto Heleno, Almir Garnier, Anderson Torres, Alexandre Ramagem, Paulo Sérgio Nogueira e Mauro Cid.
Fora a gritaria de sempre nas redes sociais, o Brasil real não parou e se ocupou de outras coisas. A noite foi de Copa do Brasil, jantares em família, boletos vencendo e rotinas que não esperam a política. O “fim do mundo” que os bolsonaristas tanto profetizaram não aconteceu. O país não entrou em combustão, não houve quartéis revoltosos nem massas em fúria nas ruas. Houve apenas um ruidoso silêncio ensurdecedor.
A democracia, imperfeita, resiste
O julgamento não é um voo em céu azul. Já tivemos condenações rumorosas no STF e no Judiciário: o mensalão, em 2012, expôs a engrenagem corrupta do lulopetismo, e a Lava Jato, entre 2014 e 2018, prendeu governadores, empresários e levou o próprio Lula à prisão – e o país também não acabou! -, embora depois esvaziada pelos supremos togados e o chefão petista livre, leve, solto e, novamente, presidente do Brasil.
Contudo, a condenação de Jair Bolsonaro rompe uma outra barreira: não se trata de dinheiro desviado e superfaturamento, mas de um presidente aloprado que, no exercício do cargo, ao lado de comandantes militares, tramou contra a própria ordem democrática. A Justiça brasileira já puniu ladrões do erário – e os soltou. Agora, pune quem tentou rasgar a Constituição – e espero que não os solte também.
Lá fora, publicações como The Guardian, AP News e Le Monde destacaram que o Brasil se tornou uma “Rara democracia a condenar um ex-presidente por tentativa de golpe”. Já o secretário americano Marco Rubio disse que: “Os Estados Unidos vão responder adequadamente”. E Donald Trump, por sua vez, defendeu Bolsonaro como sendo “Um bom homem” e comparou o processo ao que ele mesmo enfrentou nos EUA.
É claro que virão esperneios, narrativas de perseguição, pressões por anistia, ameaças de radicalização etc. Mas a calmaria de ontem foi simbólica: o STF fechou um ciclo – ao menos provisoriamente -, responsabilizando quem tentou arrastar o Brasil para uma aventura autoritária. E a sociedade, cansada, escolheu assistir futebol. Pode parecer pouco, mas é sinal de que nossa democracia, com todos os seus defeitos, sobreviveu. Ao menos por ora.
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Comentários (5)
Fabio B
12.09.2025 20:15E a prisão dele vai ter menos comoção popular que o Lula. Não vai ter nem sindicato para fazer escudo humano ou espetáculo. Vai chegar o camburão, recolher o lixo, e isso.
Fabio B
12.09.2025 20:14Eu fiquei tão chocado com o assassinato do Charles Kirk, e não dei a mínima, de verdade.
Emerson
12.09.2025 16:13Agora falta o barbudo de nove dedos .
Ita
12.09.2025 15:13Acredito que politicamente o Bozo vai descer vários degraus e consequentemente o *ula descerá também porque um depende do outro e, se Deus quiser, nos livraremos dos dois. Arre!!!!
Claudemir Silvestre
12.09.2025 12:48De fato o Brasil não acabou … ainda !! Mas o DESGOVERNO LULA está fazendo o possível para arrasar com nosso pais !! É só dar mais 4 anos pro PT, daí SIM, o Brasil AFUNDA DE VEZ !!!