O “me engana que eu gosto” de Lula com a isenção do IR
Pertencer, segundo o IBGE, ao 1% mais rico do país, não me torna, de fato, rico. Apenas serve de pretexto para meterem a mão no meu bolso mais uma vez
Sim. Morte e impostos são certezas em todo o mundo, a todos os humanos. Mas, no Brasil, os impostos, mais que certos, são crescentes. E servirão, via de regra, não para custear a sociedade e os contribuintes em geral, mas para financiar regiamente a casta dos privilegiados da elite do funcionalismo público e também os apaniguados do poder.
Some o custeio da máquina pública, os gastos em publicidade, as benesses exclusivas, o desperdício, as mordomias, as desonerações e, claro, a corrupção, e perceba para onde vão os cinco meses de suor anuais do cidadão brasileiro – empresário, autônomo, funcionário ou profissional liberal -, apenas para pagar os impostos.
Desde 2014, a tabela do imposto de renda não era corrigida. À esquerda (Dilma e Lula), à direita (Bolsonaro) e ao centro (Temer), a tunga foi certeira. Como filho feio não tem pai, em todos estes anos a desculpa foi: “Não há de onde tirar recursos” – como se houvesse de onde tirar para todos os demais gastos citados acima.
Aos amigos, tudo
Fato é que: rombo fiscal bom é rombo fiscal para eles mesmos. Ou seja, se é para estourar o caixa público, que seja para aumentar os salários de quem já recebe de 15 a 20 vezes mais que a média de um mesmo profissional da iniciativa privada. O dinheiro que sempre faltou à população, sobretudo à mais carente, sempre jorrou em Brasília e adjacências.
Mas, ao contrário do feio, filho bonito tem pai – e mãe, tio, avô, avó, nome e CPF. A isenção de imposto de renda, para quem ganha até 5 mil reais mensais, tornou-se a menina dos olhos dos populistas e oportunistas de plantão. O governo Lula, especialmente, pai biológico da criança, não quer nem dividir a cria com os pais afetivos.
O que ninguém fala, nessa história toda, é: quem vai pagar a conta? Ou melhor, quem vai bancar a bandeira eleitoral dessa gente no ano que vem? Porque assim como com o botijão “gratuito” do Gás do Povo, a isenção na conta de energia e as dentaduras e as fraldas distribuídas pelo “pai dos pobres”, o Pix dessa isenção terá de ser feito por alguém.
Quem paga?
Aliás, Pix já feito, em parte, pelo aumento do IOF – alguém ainda se lembra disso? E pela tributação das “offshores”. E as blusinhas da Shein. Se Fernando Taxadd e Lula comemoram e se vangloriam, as classes média e média alta – sempre elas! – choram. Ou alguém imagina os bilionários (amigos do Planalto) preocupados com aumento de impostos?
Empresários, advogados, médicos (profissionais liberais em geral) e outros eternos burros de carga serão tributados em seus lucros e dividendos, para que os nobres congressistas e o governo federal fiquem bonitos na foto eleitoral de 2026. O custeio da isenção do IR não sairá da redução de despesas públicas, mas da bitributação de pessoas jurídica e física.
Atenção: não sou – pelo contrário! – contra a isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais mensais. Sou contra o aumento de impostos para quem já paga dobrado, triplicado, quadruplicado e não recebe nada em troca. E pertencer, segundo o IBGE, ao 1% mais rico do país, não me torna, de fato, rico. Apenas serve de pretexto para meterem a mão no meu bolso mais uma vez.
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