“PL queria transformar a Câmara num palco de provocação”, diz líder do PT
Lindbergh Farias (RJ) celebrou o ato do presidente da Câmara que proibiu a realização de reuniões de comissões até 1º de agosto
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), celebrou nesta terça-feira, 22, o ato do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que proibiu a realização de reuniões de comissões no período de 22 de julho a 1º de agosto. A medida impediu que os colegiados de Segurança Pública e de Relações Exteriores votassem moções de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta terça, como haviam se planejado para fazer.
Lindbergh se manifestou sobre o ato de Motta em duas publicações no X. Na primeira, disse que “a extrema-direita quer transformar o Parlamento num circo de horrores, desrespeitando normas internas para fazer proselitismo em pleno recesso”. “Não aceitaremos esse vale-tudo. Seguiremos firmes na defesa da institucionalidade e da autoridade do comando legítimo da Câmara dos Deputados”, complementou.
Já na segunda, o petista chamou a atenção para o fato de que havia até um lugar reservado para Bolsonaro na mesa da Comissão de Segurança Pública para que o ex-presidente participasse da reunião em que o colegiado votaria a moção de solidariedade.
“A placa com o nome de Jair Bolsonaro já estava pronta na mesa. O PL queria transformar a Câmara num palco de provocação e confronto direto com a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Era uma encenação planejada para gerar o momento da prisão – e depois gritar ‘ditadura'”, escreveu Lindbergh, se referindo à decisão de Moraes que impôs medidas cautelares ao político.
“Querem transformar a ordem democrática em espetáculo farsesco. Não passarão. Não é show, é o Parlamento. A decisão da Presidência da Casa deve ser respeitada. A extrema-direita não fará da Câmara um comitê da desordem”, complementou.
Críticas de Sóstenes
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), por sua vez, criticou o ato de Motta, em coletiva de imprensa. Segundo o parlamentar, o ato é “ilegal” e “antirregimental”, porque o congressista encontra-se fora do país, assim como o primeiro vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ), e, pelo regimento interno da Câmara, o presidente em exercício desde a viagem dos dois é o segundo vice-presidente, Elmar Nascimento (União-BA).
“Aí vocês podem perguntar: e por que então não fizeram a reunião? Acusam-nos de sermos radicais, acusam-nos de sermos extremistas. Dizem que somos os parlamentares do ódio. Mas hoje, todos esses abnegados colegas que aqui estão comigo damos uma demonstração ao Brasil de que tudo o contrário que grande parte da mídia e a totalidade da esquerda dizem, nós temos subserviência até para nos submetermos a uma decisão ilegal. Eu não sei até quando”, ressaltou o deputado do PL.
Bandeira de Trump
Deputados da oposição chegaram a erguer uma bandeira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no local da coletiva, na Câmara dos Deputados. O gesto foi criticado por Lindbergh Farias.
“TRAIDORES. Hoje, em plena Câmara dos Deputados, Casa do Povo Brasileiro, parlamentares da extrema-direita hastearam uma bandeira de Trump, símbolo de uma potência estrangeira que quer impor sanções ao Brasil. Enquanto o país luta contra o tarifaço e defende sua soberania, eles prestam continência a um grupo externo. Isso tem nome: traição! Não representam o povo brasileiro. São traidores da pátria, vendidos a um projeto autoritário e estrangeiro. Defenda o Brasil!”, escreveu o petista no X.
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