Decisão de Motta de proibir reuniões de comissões é “ilegal”, diz Sóstenes
Líder do PL argumentou que, pelo regimento interno da Casa, o presidente em exercício neste momento é Elmar Nascimento (União-BA)
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou nesta terça-feira, 22, o ato do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB) que proibiu a realização de reuniões de comissões no período de 22 de julho a 1º de agosto. A medida impediu que os colegiados de Segurança Pública e Relações Exteriores votassem moções de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta terça, como haviam se planejado para fazer.
Segundo Sóstenes, o ato de Motta é “ilegal” e “antirregimental”, porque o congressista encontra-se fora do país, assim como o primeiro vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ), e, pelo regimento interno da Câmara, o presidente em exercício desde a viagem dos dois é o segundo vice-presidente, Elmar Nascimento (União-BA).
“Aí vocês podem perguntar: e por que então não fizeram a reunião? Acusam-nos de sermos radicais, acusam-nos de sermos extremistas. Dizem que somos os parlamentares do ódio. Mas hoje, todos esses abnegados colegas que aqui estão comigo damos uma demonstração ao Brasil de que tudo o contrário que grande parte da mídia e a totalidade da esquerda dizem, nós temos subserviência até para nos submetermos a uma decisão ilegal. Eu não sei até quando”, ressaltou o integrante do PL.
Sóstenes disse ainda se sentir “amordaçado” no local que deveria Casa do povo, se referindo à Câmara, e que a oposição precisa ecoar a voz de Bolsonaro, que, conforme o deputado, está sendo “censurado”.
De acordo com o líder, a oposição não vai aderir ao recesso parlamentar informal. Ele convocou os apoiadores de Bolsonaro a ocuparem as ruas do país.
“Vamos para as ruas denunciar a censura e a interferência no devido processo legal de um presidente da República”, pontuou.
O presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, Paulo Bilynskyj (PL-SP), também lamentou nesta terça-feira o ato de Motta. Segundo o congressista, a determinação foi recebida pelo colegiado meia hora antes do início da reunião em que votaria uma moção de solidariedade a Bolsonaro.
“Nosso objetivo aqui hoje é deixar bem claro que a oposição não vai se calar. A oposição não vai deixar de trabalhar a favor do Brasil, a favor da liberdade, a favor dos nossos valores de Deus, pátria, família e liberdade. Hoje, a nossa reunião foi cancelada, essa decisão foi uma decisão do presidente Hugo Motta e é uma decisão que nos impede de manifestar a nossa opinião, a nossa palavra”, pontuou Bilynskyj.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores disse que o colegiado vai retomar a pauta que estava prevista para hoje na primeira semana de agosto, após o término do recesso parlamentar informal. Segundo Filipe Barros (PL-PR), além das moções de apoio a Bolsonaro, seria votado o envio de pedidos de providências a órgãos internacionais diante da “escalada da perseguição política” no Brasil.
As declarações dos três deputados ocorreram em coletiva de imprensa. “Apesar de o Congresso estar no chamado recesso branco, nós, todos os deputados que estão aqui e outros tantos que não puderam vir esta semana, não teremos recesso. Voltaremos à nossas bases, falaremos com nosso povo, com nossa militância, mobilizaremos o povo a voltar para as ruas”, pontuou Barros.
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