Eduardo reajusta a narrativa

15.07.2026

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O Antagonista

Eduardo reajusta a narrativa

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Rodolfo Borges
6 minutos de leitura 20.07.2025 09:50 comentários
Análise

Eduardo reajusta a narrativa

Diante da tentativa da família Bolsonaro de tirar vantagem do 'tarifaço' de Trump, é preciso interpretar corretamente o que está ocorrendo

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Rodolfo Borges
6 minutos de leitura 20.07.2025 09:50 comentários 6
Eduardo reajusta a narrativa
Foto: Reprodução/ X

Após mais um desenlace da crise entre Brasil e Estados Unidos, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP, foto) atualizou sua perspectiva sobre o que está acontecendo.

Agora, o que ele chamou, na origem, de “Tarifa-Moraes” e, na narrativa original, era fruto de sua pressão na Casa Branca, virou retaliação à “elite financeira que dá suporte ao regime brasileiro“.

“Trump enxergou que existe uma elite financeira que dá suporte ao regime brasileiro = Lula não saiu da cadeia para a presidência sozinho. Daí veio a taxação de 50%”, disse o filho de Jair Bolsonaro neste sábado, 18, após o governo americano revogar vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

De fato, Lula não saiu da cadeia sozinho, mas com a torcida de muita gente, inclusive da família Bolsonaro. O próprio Eduardo declarou, em 2018, que “politicamente, é muito melhor o Lula solto”.

Família Bolsonaro ajudou Lula

Lula saiu da cadeia e teve suas condenações anuladas para servir de escudo ao mundo político corrupto contra a Operação Lava Jato, e com a anuência do governo Bolsonaro, que escolheu como procurador-geral da República Augusto Aras. O PGR de Bolsonaro entrará para a história por frases com “agora é a hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure”.

A família Bolsonaro não pode, portanto, se colocar fora desse grupo (de elite?) que contribuiu para a reabilitação política de Lula. E também não faz sentido dizer que Trump enxergou uma elite financeira que dá suporte ao “regime brasileiro”.

A tarifa adicional de 50% não pode ser interpretada como uma punição a uma elite financeira, mas ao país inteiro, e é por isso que a popularidade de Bolsonaro caiu, e a de Lula, subiu, ainda que momentaneamente, enquanto a família do ex-presidente reclamava seus louros.

O filho 03 de Bolsonaro completou assim sua análise publicada no X:

“Na minha entrevista de ontem na CNN enfatizei que estes atores têm que pressionar Moraes a ler a carta de Donald Trump. Eu não tenho o poder da caneta, só vejo um cenário mais claro pois estou dentro do campo de batalha, não dependendo de informação enviesada de mídia nenhuma. Quero o melhor para o Brasil e temo que reações possam vir apenas quando for ‘too late’…”

O que está ocorrendo

Diante da tentativa da família Bolsonaro de tirar vantagem do tarifaço de Trump, é preciso interpretar corretamente o que está ocorrendo.

Antes de tudo, não faz sentido pintar o presidente dos Estados Unidos como alguém interessado em valores democráticos, ou mesmo como alguém preocupado com a política interna brasileira ou da América Latina.

Qualquer análise que partir dessas duas premissas está errada e, provavelmente, estará sendo feita por pessoas interessadas em obter algum ganho político nessa história.

Trump impôs tarifas adicionais a mais de 20 países junto com o Brasil, e as baseou em várias alegações, algumas delas falsas. A imposição de tarifas é, portanto, parte da política do governo americano para o mundo inteiro, e tem como alvo principal a China, rival de fato dos Estados Unidos.

O republicano aproveitou, no caso brasileiro, para retaliar a participação do país no Brics, que, liderado pela China, se apresenta como alternativa ao poderio econômico americano.

Ao impor a tarifa adicional de 50%, Trump também colocou no saco o controle de redes sociais pelo STF e a “caça as bruxas” contra Bolsonaro, para tentar ganhar na confusão.

Leia mais: Brics vai acabar rapidamente se ameaçar dólar, diz Trump

Estratégias

Os Bolsonaro não conseguiram empurrar no Congresso Nacional a pauta da anistia aos condenados pelo 8 de janeiro (e ao patriarca), que foi o que declaradamente estavam tentando fazer, mas levaram Alexandre de Moraes a impor medidas restritivas ao ex-presidente, e uma delas, a proibição de usar redes sociais, serviu de pretexto para o secretário de Estado americano, Marco Rubio, retaliar os ministros do STF e seus parentes.

Rubio justificou sua medida sob o argumento de que as decisões de Moraes também atingem os americanos, até porque não faria sentido tomar uma medida como a revogação de vistos, que é prerrogativa do governo dos Estados Unidos, em nome de um estrangeiro como Bolsonaro.

No final das contas, ainda que não ocorra por causa dos motivos alegados pela família Bolsonaro, qualquer medida que vier do governo americano no atual contexto de enfrentamento com o governo brasileiro terá o efeito prático de confrontar e pressionar a Justiça brasileira.

Uma vitória

Da mesma forma que a família Bolsonaro ajudou Lula ao tentar tirar sua responsabilidade pela tarifa adicional (e essa estratégia já mudou), o petista também ajuda os aliados do ex-presidente ao fazer desafios abertos a Trump, na tentativa de melhorar a própria popularidade.

O STF também colabora para a narrativa bolsonarista a cada tabelinha com o governo Lula, como a decisão de Moraes para a volta do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mesmo diante do claro desvio de finalidade de usar um imposto regulatório para arrecadação.

Assine Crusoé e leia mais: Poder desmoderado

É preciso reconhecer que a família Bolsonaro finalmente conseguiu marcar um ponto nessa batalha contra o STF, por meio da revogação dos vistos, ainda que estivesse declaradamente buscando outro objetivo e atue de forma errática, apagando publicações nas redes minutos após publicá-las.

Narrativa

O filho 03 de Bolsonaro vai a reboque do caos disseminado por Trump, assim como o mundo inteiro, e adequa o discurso a cada novo lance, na tentativa desesperada de evitar que o pai vá para a cadeia — ou que ao menos tenha condição política de deixá-la antes da hora, como ocorreu com Lula.

Ao debochar do vice-presidente Geraldo Alckmin em outro post, o deputado licenciado acabou reconhecendo que importa mais a versão do que os fatos, e até citou Lula: “Pouco importa o que se vê. Como disse o Descondenado, o que importa é a narrativa!”.

Leia mais: Família Bolsonaro abraça a tarifa de Trump

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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Comentários (6)

Marcia Elizabeth Brunetti

21.07.2025 12:41

A família Bolsonaro tem prestado um excelente trabalho para a equipe de marketing do Nine. A cada aparição mais besteiras saem das suas bocas.


Annie

20.07.2025 11:54

Muito bem Rodolfo Borges👏🏻👏🏻👏🏻


Luiz Filho

20.07.2025 11:29

Lamentável que o defeito cognitivo do bananinha e da família toda se estenda pelas franjas bolsonaristas. Sem dúvida alguma a popularidade do mito se deve ao péssimo caráter do luladrão. Mas nunca esqueceremos que comemoraram a soltura do bebum de Garanhuns. Bolsonaro é um covarde e dissimulado que só pensa em salvar seu próprio rabo. Mas luladrão consegue ser pior. O Brasil é um país muito, mas muito amaldiçoado


Joaquim Arino Durán

20.07.2025 11:28

Interpretar corretamente o que está acontecendo, não é tarefa fácil. O artigo é exemplo disso.


Márcio Roberto Jorcovix

20.07.2025 10:32

Quanto mais passa o tempo mais aparecem as semelhanças (enormes) entre o sapo barbudo e o clã Bolsonaro. Todos farinha Do mesmo saco. O problema é que o Lula teremos que suportar por pouco tempo, mas os Bolsonaro teremos que engolir a seco por muito tempo. Como sugeriu o Osmair todo o clã poderia ir para os Estados Unidos contribuir para o seu “desenvolvimento” econômico, sócia e cultural


Osmair Mendonça

20.07.2025 10:25

Acredito que o melhor que tinha a ser feito era deixar o Jair fugir do país. Os Bolsonaros mais atrapalha do que ajuda luta contra o PT. Aliás , o Bolsonaro é o maior responsável pelo desmonte da Lava Jato e pelo retorno do Lula. O 0.0 se elegeu por causa da Lava Jato.


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