Vaticano mantém proibição de homilia leiga durante missas
Cúria negou pedido da Conferência Episcopal Alemã para fiéis “comuns” pudessem se responsabilizar pelo sermão
O Vaticano negou nesta terça-feira, 23, solicitação da Conferência Episcopal Alemã para autorizar leigos, incluindo mulheres, a proferir homilias durante as missas. O dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos manteve a exigência de que a função seja exercida exclusivamente por padres ou diáconos, sem abertura para excepcionalidades.
O pedido e a resposta
A solicitação havia sido apresentada no início deste ano pelo presidente da entidade alemã, Heiner Wilmer, e refletia posição compartilhada por bispos de outros países europeus e dos Estados Unidos.
Segundo o DW, a justificativa é que leigos qualificados teriam capacidade equivalente à dos clérigos para conduzir reflexões litúrgicas, e citam interesse específico em viabilizar pregações femininas, vedadas pela impossibilidade de ordenação sacerdotal de mulheres na Igreja Católica.
A resposta vaticana não chegou aos bispos alemães em documento detalhado, limitando-se a nota oficial à imprensa. Nela, o dicastério reconheceu a inquietação da conferência episcopal, mas declarou que a disciplina vigente não comporta dispensas.
O comunicado classificou a restrição como elemento estrutural, e não apenas administrativo: “A reserva da homilia a um padre ou diácono não é uma norma meramente disciplinar, mas deriva da própria natureza da liturgia”.
A justificativa doutrinária apoia-se no princípio segundo o qual o sacerdote atua in persona Christi durante a celebração, sendo Deus quem opera por meio dele no rito. Pregações de leigos continuam permitidas em atos religiosos realizados fora da estrutura da missa.
Reforma alemã sob incerteza
A negativa atinge diretamente o Caminho Sinodal, processo de reforma interna da Igreja na Alemanha que defende ampliação da participação leiga. O canonista Thomas Schüller avaliou que a decisão inaugura fase de frustrações para o grupo reformista, ao afirmar que “os sonhos sinodais alemães estão se desfazendo”.
Schüller também apontou que a recusa torna mais incerta a confirmação, por parte de Roma, dos estatutos da futura conferência sinodal alemã — instância em que bispos e leigos deliberariam de forma conjunta e que constitui o eixo central do projeto reformista. Para o canonista, cresce o temor de que essa iniciativa também seja bloqueada.
Apesar da posição vaticana, o especialista sustentou que a proibição não deve alterar a rotina de paróquias em países de língua alemã, onde teólogos leigos seguem pregando ocasionalmente. Ele descreveu a medida como disputa que Roma já perde no campo prático.
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