Roberto Reis na Crusoé: Vice que vence
A escolha de uma chapa presidencial precisa levar em conta que o Brasil é imenso e cobra representação
Política é a arte do possível. Alguns poucos, porém, convertem seu trabalho político em obra de arte. Uma dessas pessoas se chama Gilberto Kassab.
No último mês, conversei com comunicadores e lideranças sobre uma pauta bem específica: quem é o melhor vice para Tarcísio de Freitas, caso ele se lance.
Sempre me perguntaram isso e evito responder por dois motivos.
Primeiro: não faz sentido especular vice de candidatura que nem é oficial.
Segundo: quem vive campanha sabe que o crivo do vice muitas vezes é mais rigoroso que o do cabeça de chapa.
Além de político, popular e agregador, precisa ser técnico e cumprir uma lista longa de requisitos.
O vice tem de somar. Não pode ser mais do mesmo.
O erro didático de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022 foi esse. Dois generais, linha dura, rosto fechado, falando com o mesmo público e pregando para convertidos.
Garantia institucional infantil pensada por Jair para acalmar fantasmas dele, não para conquistar o eleitor do meio. Um vice bem escolhido poderia ter mudado 2022.
Preferiram bola de sorvete de brigadeiro sobre bola de sorvete de chocolate: quem gostava do sabor, seguiu gostando. Quem rejeitava, seguiu rejeitando.
Os acertos clássicos estão do outro lado: José Alencar e Geraldo Alckmin com Lula. Contraponto inteligente. Levaram empresariado, eleitor moderado, sinal de sobriedade para o establishment. Mostraram diálogo para além da tribo.
E guardaram o lugar de vice com lealdade e discrição. Perfeitos do ponto de vista técnico.
Em síntese: um lado pensou com o fígado, o outro com o cérebro.
Em campanha vale tudo, menos perder.
Para ser um possível vice de Tarcísio de Freitas, é preciso agregar valores que ele não tem por natureza.
Diferença profissional, ideológica, política, de trajetória, sem atrito e sem incompatibilidade.
Melhor então se vier de outra região do país. O Brasil é imenso e…
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