Pelé não cabe na lista de maiores jogadores da história Pelé não cabe na lista de maiores jogadores da história
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Pelé não cabe na lista de maiores jogadores da história

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Rodolfo Borges
3 minutos de leitura 24.12.2022 09:00 comentários
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Pelé não cabe na lista de maiores jogadores da história

Antes da Copa do Mundo do Catar, a revista FourFourTwo publicou uma lista dos 100 maiores jogadores de futebol da história. Lionel Messi já liderava, mesmo sem ainda ter conduzido seu país ao título mundial. Era seguido por Diego Armando Maradona e Cristiano Ronaldo. Pelé aparece apenas em...

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Pelé não cabe na lista de maiores jogadores da história
Pelé no momento de uma bicicleta, em partida pelo Santos. (Foto: Divulgação/Pelé Foundation)

Antes da Copa do Mundo do Catar, a revista FourFourTwo publicou uma lista dos 100 maiores jogadores de futebol da história. Lionel Messi já liderava, mesmo sem ainda ter conduzido seu país ao título mundial. Era seguido por Diego Armando Maradona e Cristiano Ronaldo. Pelé aparece apenas em quarto lugar. O tempo passou. Os feitos milimetricamente gravados, transmitidos e repetidos de Messi e Cristiano se impuseram sobre as imagens desbotadas do Rei do futebol. Maradona chegou a ser assistido ao vivo por quem hoje elabora esse tipo de ranking e sua espantosa habilidade com a bola está fresca na memória.

A lista da FourFourTwo é discutível. Cristiano não liderou seu time na conquista de uma Copa do Mundo. Pelé comandou o Brasil em duas e ganhou três, Maradona e, agora, Messi protagonizaram apenas um mundial cada. Em número de gols, o brasileiro também ainda está por ser superado — fez mais de mil, enquanto o argentino mais novo se aproxima dos 800, pouco menos que os mais de 810 do português. Maradona passa longe dos três, com 345 gols.

Contando apenas os jogos oficiais, Messi e Cristiano já ultrapassaram os 757 gols de Pelé, mas perdem na média: o Rei chegou à espantosa marca de 0,92 (quase um) por jogo, enquanto os rivais giram em torno de 0,70 e 0,80 por partida — também muito impressionante. Maradona tem meio gol por jogo no currículo. Diante dos números, é possível argumentar que o futebol de hoje é muito mais competitivo, exige mais preparo atlético e disciplina tática, o que desfavoreceria o brasileiro.

Outro quesito em questão é a plástica. “Pelé marcou mais gols. Cristiano Ronaldo ganhou mais troféus. Ambos viveram vidas mais estáveis do que o ex-viciado em cocaína com excesso de peso que vem em segundo lugar nesta lista, cuja relação com o futebol tornou-se cada vez mais tensa à medida que sua carreira se estendia. Se você já viu Diego Maradona com uma bola de futebol nos pés, vai entender” seu lugar na lista, argumenta a FourFourTwo.

Ou seja, o ranking depende dos parâmetros adotados e, por isso, a lista em questão não está errada. Cada um faz a lista que quiser, com os critérios que escolher. O erro está em colocar Pelé nessa disputa. O ídolo do Santos é um clássico, sobreviveu ao tempo. Encerrou a carreira em 1977 e, 50 anos depois, segue servindo de referência para o que significa excelência no futebol. Pelé é Cervantes, Dante, Goethe, Pushkin, Camões, Molière. Quem vier depois, por melhor que seja, estará sempre devendo a ele.

Pelé é o mito fundador do craque. Seus feitos são a referência. Pelos gols que fez, os dribles que desenhou pelo meio das defesas adversárias, a potência inabalável das arrancadas, pela longevidade de sua carreira e a firmeza de seu corpo diante de pancadas inclementes — os cartões amarelo e vermelho surgiram apenas em 1966, quando ele já tinha sido campeão mundial duas vezes. Compará-lo aos craques que vieram depois, mesmo ao “Deus” Maradona, não faz sentido.

Maradona, Messi, Cristiano Ronaldo, Zico, Cruyff, Beckenbauer, Puskas, Garrincha, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Romário e Zidane estão ente os melhores jogadores da história. E talvez Messi se estabeleça como o melhor deles. Mas Pelé é o melhor jogador para além da história, fora do tempo e do espaço. Pelé é o futebol.

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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