Josias Teófilo na Crusoé: A volta de Lampião é cruel
Como o cangaceiro brasileiro, presidente americano Donald Trump retornou com sangue nos olhos
Dizia-se no sertão: “A volta de Lampião é cruel”.
O rei do cangaço chegava a uma propriedade rural com seu bando e, se fosse bem recebido, tornava-se amigo do dono e sua família, desde que o ajudassem e não colaborassem com as forças volantes, os “macacos”, como ele chamava.
Mas se o proprietário denunciasse os cangaceiros, a volta era cruel.
As maiores atrocidades que Lampião e seu bando realizaram aconteceu nesse contexto. A volta de Lampião é cruel.
Talvez a segunda eleição de Donald Trump tenha sido mais importante que a primeira.
Em 2016 pareceu um caso isolado, uma excepcionalidade que não voltaria a acontecer — a segunda eleição provou que não era bem assim.
A nova direita — que não existe só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e na França, ao menos (e se diferencia completamente da velha direita) — provou ser um fato estabelecido com a volta de Trump.
E como o censuraram, retirando-o das redes sociais, e até o prenderam (mesmo que apenas por vinte minutos), a volta não seria como a primeira experiência.
A volta havia de ser cruel.
Já escrevi nesta coluna como Trump chegou com sangue nos olhos para o segundo mandato, assinando logo no primeiro dia quarenta e seis decretos com força de lei.
Ele proibiu a censura e a ideologia de gênero, aumentou as penas e criou uma força-tarefa para combater crimes na fronteira. Tirou os Estados Unidos da OMS e do Acordo de Paris, e até assinou um decreto que estabelece a arquitetura clássica como padrão para prédios públicos.
O próprio Trump disse em entrevista ao Joe Rogan que ainda era muito inexperiente no primeiro mandato.
Mesmo assim, foi tratado como um radical de extrema direita, um perigo para o mundo civilizado, e mesmo como um criminoso que deveria estar preso.
Trump usou seu mugshot (foto tirada quando a pessoa é presa pela polícia) como peça de campanha, e as doações para sua campanha subiram enormemente. Hoje, a foto está emoldurada na Casa Branca.
Pior: ele foi vítima de uma tentativa de assassinato que por alguns milímetros (e por causa de um movimento repentino de sua cabeça) não foi bem-sucedida.
Voltou disposto e desmontar a estrutura de financiamento da esquerda identitária pelo mundo, especialmente o Usaid, que promove a legalização do aborto…
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