Leonardo Barreto na Crusoé: Brasília, a cidade onde ninguém diz não
Em todo o mundo, grupos de interesse tentam influenciar decisões. O que chama atenção é a facilidade com que essa turma navega no Brasil
O país surpreendeu-se nesta semana com a derrubada de um veto presidencial feito a um projeto sobre energia eólica que, estima-se, gerará um encargo de até 197 bilhões de reais a ser pago até 2050 por todos nós.
Trata-se do clássico “jabuti”. Algum grupo de interesse insere um dispositivo exótico em uma lei de outra natureza para obriga o poder público a fazer alguma coisa que ele não quer. Nesse caso é comprar a energia produzida por alguns grupos independente se ela estiver cara ou for desnecessária.
Coisas desse tipo fazem do Brasil um caso único no mundo. Há boa oferta de energia de fontes renováveis e a tarifa paga é uma das mais altas que se tem notícia. Atualmente, esses jabutis, somados aos impostos, chegam a 44% da conta.
Lobbies
Os lobbies que buscam acesso a negócios com o Estado são conhecidos e notórios. E a questão nem é essa. Em qualquer lugar do mundo, grupos de interesse se organizam e tentam influenciar tomadores de decisão para obter algum benefício.
O que chama atenção é a facilidade com a qual essa turma navega.
O governo vetou e o Congresso derrubou a trava da mesma forma que se peteleca um castelo de cartas, com nenhum esforço.
Há uma questão conjuntural e outra estrutural nessa análise.
Lula tem perdido por WO
A primeira é que Lula tem perdido no Congresso por WO. Já se falou muito aqui sobre o papel das emendas parlamentares e como elas conferiram uma independência aos parlamentares nunca vivenciada antes. Isso é verdade.
No entanto, o governo também não se esforça para achar outro jeito. O governo poderia ter feito mais? Por exemplo, na véspera da votação, o ministro da pasta, Alexandre Silveira, não poderia ir à TV e dizer aos brasileiros “olha, amanhã pode acontecer uma coisa muito ruim para quem paga conta de luz lá no Congresso. Acompanhe o tema…
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