Dennys Xavier na Crusoé: Direita e esquerda contra o indivíduo
Deputados e senadores de partidos dos mais diversos espectros uniram-se para aprovar o aumento do fundo partidário, mais uma vez
Na terça-feira, 17, o Congresso Nacional brasileiro nos brindou com uma aula prática de como os antagonismos ideológicos podem ser rapidamente dissolvidos diante de um bem comum inconfessável: o dinheiro público (este, que cobra do cidadão médio mais de seis meses de trabalho por ano, só em impostos).
Deputados e senadores de partidos dos mais diversos espectros – do bolsonarismo ao lulismo, do centrão aos que se autoproclamam “independentes” – uniram-se para aprovar o aumento do fundo partidário, mais uma vez ampliando os recursos extraídos compulsoriamente do cidadão para financiar suas próprias máquinas políticas.
O episódio, embora rotineiro, é revelador. Ele escancara o que muitos ainda relutam em reconhecer: no Brasil, o coletivismo não tem lado.
Verde-amarelo ou vermelho
A retórica pode se vestir de verde-amarelo ou de vermelho, pode apelar à tradição ou à justiça social, pode clamar pela moral cristã ou pela revolução dos oprimidos; mas a lógica de fundo é sempre a mesma: o indivíduo deve servir à máquina estatal. E essa máquina, invariavelmente, alimenta-se da renda alheia (visto que, óbvio, o Estado na produz… apenas parasita).
Os discursos que sustentam essa prática variam em forma, não em essência. À direita, justifica-se o fundo partidário como instrumento da “defesa da pátria” contra os perigos do comunismo, da censura ou da degeneração dos valores.
À esquerda, afirma-se que a verba é necessária para equilibrar o jogo democrático, garantir a participação popular e combater os “poderosos”. Ambas as narrativas são sofisticadas (nem tão sofisticadas) formas de disfarçar o mesmo mecanismo: a socialização dos custos políticos e a privatização dos benefícios partidários.
Apego visceral à lógica estatista
Essa convergência revela um traço profundo e estrutural da política brasileira: seu apego visceral à lógica estatista, patrimonialista e anti-individualista.
A despeito das diferenças de marketing, quase todos os partidos compartilham o pressuposto de que o Estado é um bem comum, e, portanto, cabe a ele financiar sua própria reprodução com os recursos de todos.
O indivíduo, nesse quadro, não é fim, mas meio. Sua liberdade é…
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