Veículos de guerra, relógios de luxo e uma oficina de armas apreendidos na operação de mega fraude de 300 milhões
Fraude de IVA em combustíveis permitia à organização oferecer gasolina e diesel a preços muito abaixo do mercado.
A investigação sobre o que pode ser um dos maiores esquemas de fraude de IVA no setor de combustíveis na Espanha, ligado à empresa Biomar Oil, revelou uma estrutura organizada que atuou entre 2023 e 2024, provocando um prejuízo fiscal estimado em 300 milhões de euros e expondo conexões entre criminalidade econômica, armas e lavagem de dinheiro.
Fraude de IVA em combustíveis na Espanha
De acordo com o balanço das operações da Polícia e da Agência Tributária da Espanha, a fraude de IVA em combustíveis permitia à organização oferecer gasolina e diesel a preços muito abaixo do mercado, ao deixar de repassar à Agência Tributária o imposto cobrado nas operações.
Assim, obtinha-se uma margem extra ilegal que distorcia a concorrência com empresas cumpridoras das obrigações fiscais.
As investigações apontam que o grupo controlava operadoras petrolíferas que vendiam grandes volumes de hidrocarbonetos a intermediários e postos de serviço, ignorando também a normativa sobre biocombustíveis e deixando de pagar compensações, o que representaria cerca de 40 milhões de euros adicionais em falta.
Como funcionava a organização criminosa de hidrocarbonetos
A organização criminosa de hidrocarbonetos tinha estrutura hierarquizada, com dois sócios no topo responsáveis por decisões estratégicas e pelo comando das operações principais.
Abaixo deles atuavam diretores financeiros, encarregados da contabilidade, gestão de contas bancárias e possível branqueamento de capitais.
Na base estavam trabalhadores operacionais e numerosos testas-de-ferro, recrutados para figurar como administradores formais das empresas de fachada.
Um deles teria recebido cerca de dois milhões de euros para emprestar sua identidade, dificultando o rastreamento fiscal e a responsabilização penal dos verdadeiros líderes.
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🔴 La Policía Nacional desarticula una organización criminal vinculada a uno de los mayores fraudes de IVA cometido hasta la fecha en el sector de hidrocarburos.
— RTVE Noticias (@rtvenoticias) December 18, 2025
Hay 8 detenidos https://t.co/oDjyczL6BV pic.twitter.com/AXjrMLgf7g
Relação entre fraude fiscal, arsenal de armas e veículo blindado
Durante buscas na província de Ávila, foram encontrados 44 armas de fogo, algumas com número de série apagado, munição de uso militar e um veículo blindado com canhão metralhador.
Também foram apreendidos relógios de luxo, carros de alta gama e diversos ativos financeiros ligados ao esquema.
Fontes ligadas à empresa alegam que o arsenal e o veículo pertenceriam a uma firma de familiares dedicada ao aluguel de material bélico restaurado para produções audiovisuais.
Caberá ao processo judicial definir se havia conexão direta com a fraude de IVA ou se foi mera coincidência empresarial no contexto da operação.
🚨Julia Martínez Rico, ENCARGADA de COMBATIR el FRAUDE del IVA y hermana de 2 imputados del caso Montoro, podría estar IMPLICADA en uno
— Judit 🔻 (@judit_sinhache) August 5, 2025
Su PISO fue SEDE de Mediterranean Oil, empresa de hidrocarburos VINCULADA en un FRAUDE de +12M€
OPERABA como la TRAMA de ALDAMA con +182,5M€… pic.twitter.com/wFBogydtZV
Bens, valores e ativos bloqueados pelas autoridades
As autoridades adotaram medidas de bloqueio patrimonial para enfraquecer economicamente o grupo e impedir o reinvestimento dos lucros ilícitos.
Esses bloqueios abrangem tanto bens físicos quanto recursos financeiros associados à fraude de IVA em hidrocarbonetos.
- Mais de 130 mil euros em dinheiro vivo apreendidos.
- Aproximadamente 3,6 milhões de litros de carburante confiscados.
- 167 relógios de luxo, 60 veículos de alta gama e 46 imóveis retidos.
- Ativos financeiros superiores a 14 milhões de euros e contas com mais de 12,5 milhões de euros bloqueadas.
Impactos do caso no combate à fraude no setor de combustíveis
O caso Biomar Oil evidencia que o setor de hidrocarbonetos continua altamente vulnerável à sonegação de impostos e ao branqueamento de capitais, com sinais de alerta como margens anormalmente baixas, forte uso de empresas interpostas e rotação frequente de administradores formais.
A cooperação entre Polícia Nacional, Agência Tributária e Audiência Nacional mostra-se essencial para mapear fluxos de dinheiro, responsabilizar cada nível da cadeia criminosa e servir de referência para futuras ações de fiscalização em 2025 e nos anos seguintes.
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