Ursos polares podem estar evoluindo para evitar a extinção
O aquecimento global tem alterado de forma intensa as regiões polares e colocado o urso-polar entre as espécies mais ameaçadas do planeta
O aquecimento global tem alterado de forma intensa as regiões polares e colocado o urso polar entre as espécies mais ameaçadas do planeta, pois a redução do gelo marinho dificulta o acesso às focas, seu principal alimento.
Embora pesquisas genéticas recentes na Groenlândia indiquem sinais de adaptação em grupos específicos, essa resposta ainda é limitada diante da rapidez das mudanças climáticas.
Adaptação dos ursos polares às mudanças climáticas
A adaptação dos ursos polares envolve ajustes físicos, genéticos e comportamentais que aumentam as chances de sobrevivência em um Ártico com menos gelo.
Alguns grupos passaram a explorar áreas costeiras, fiordes e regiões com gelo sazonal, reduzindo a dependência exclusiva de grandes blocos de gelo para caçar focas.
Do ponto de vista genético, cientistas analisaram amostras de DNA de ursos da Groenlândia e cruzaram esses dados com registros climáticos locais.
Esse cruzamento revelou associação entre o aumento de temperatura e mudanças em regiões do genoma ligadas ao metabolismo, ao uso do território e à resposta ao estresse ambiental.
🐻❄️😲 Ils sont tombés sur une famille d’ours polaires en plein océan, loin de toute terre…
— Le Contemplateur (@LeContempIateur) December 15, 2025
Il arrive parfois d’apercevoir des ours polaires très loin au large, car ce sont d’incroyables nageurs, capables de parcourir de longues distances pour chasser les phoques ou rejoindre… pic.twitter.com/2lKrpGnPyx
O papel dos genes saltadores na evolução do urso polar
Os “genes saltadores”, ou transposons, são segmentos móveis de DNA que podem mudar de posição no genoma e alterar a ativação de outros genes.
No urso polar, esses elementos representam fração relevante do material genético e influenciam processos essenciais, como o uso de gorduras e a resposta ao estresse ambiental.
Em populações do sudeste da Groenlândia, pesquisadores identificaram milhares de transposons com atividade recente elevada, sugerindo evolução acelerada.
Muitos estão associados a genes ligados ao metabolismo lipídico, potencialmente ajustando a forma como o corpo armazena ou queima energia em um ambiente mais quente.
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Dietas mais flexíveis e mudanças no metabolismo
Com o gelo reduzido, alguns ursos polares foram observados forrageando em áreas sem gelo por longos períodos, explorando fontes alternativas de alimento.
Em ambientes costeiros mais amenos, tornam-se mais acessíveis peixes, aves marinhas, ovos, frutos do mar, carcaças e até material de origem vegetal.
Para que essa mudança alimentar seja sustentável, o organismo precisa otimizar o uso de diferentes nutrientes.
Estudos indicam que a atividade intensificada dos transposons pode favorecer ajustes metabólicos como:
- Regulação de genes que controlam a digestão e o aproveitamento de gorduras;
- Modulação de vias de armazenamento de energia em períodos de abundância;
- Aprimoramento da resposta ao estresse térmico e nutricional;
- Maior capacidade de lidar com alimentos marinhos e vegetais.
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Lutando pela sobrevivência, um urso polar tenta caçar uma baleia beluga no gelo marinho do alto Ártico, aprisionada na zona marginal de gelo entre a Groenlândia e Svalbard.🐻❄️🐋 pic.twitter.com/fd6L05rSjU
— 𝔸ℕ𝔻ℝ𝔼𝔸🇧🇷🇺🇸🇮🇱 (@deinhaSL) December 15, 2025
Desafios para a conservação do urso polar em um Ártico mais quente
A adaptação não elimina os desafios impostos pela perda acelerada de gelo marinho, ainda essencial para deslocamento, reprodução e acesso a presas de alta densidade energética.
A redução do gelo aumenta distâncias entre áreas de descanso e caça, elevando o gasto energético e o risco de mortalidade. Mudanças no padrão alimentar também podem gerar competição com outras espécies costeiras e aumentar conflitos com comunidades humanas.
Em regiões mais populosas, a aproximação de ursos em busca de lixo e carcaças exige estratégias de manejo que reduzam riscos para pessoas e animais.
Importância do monitoramento e das ações humanas
Diante desse cenário, pesquisadores defendem o monitoramento integrado de genética, comportamento e uso do habitat.
Acompanhar a dinâmica dos transposons, o estado físico dos animais, as rotas utilizadas e as fontes de alimento exploradas ajuda a orientar políticas de conservação mais eficazes.
Embora o urso-polar demonstre alguma capacidade de ajuste, a velocidade do aquecimento global continua sendo decisiva.
A permanência da espécie nas próximas décadas dependerá tanto dessas respostas biológicas quanto de ações humanas para reduzir emissões de gases de efeito estufa e preservar ecossistemas polares críticos.
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