Vaticano pede explicações a Israel por bloqueio em Jerusalém
Polícia israelense impediu acesso de representantes católicos à Igreja do Santo Sepulcro no Domingo de Ramos; Santa Sé pediu explicações
O Vaticano chamou o embaixador de Israel junto à Santa Sé, Yaron Sideman, para uma reunião nesta segunda-feira, 30, e manifestou sua insatisfação com a ação da polícia israelense que, no dia anterior, bloqueou a entrada de autoridades católicas na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. O episódio ocorreu no Domingo de Ramos, 29 de março, data que abre a Semana Santa no calendário cristão.
O cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado da Santa Sé, e o Arcebispo Paul R. Gallagher conduziram o encontro. Segundo comunicado do Vaticano, “durante a reunião, foi expressa a lamentação pelo incidente e foram prestados esclarecimentos”.
O bloqueio
O Patriarcado Latino de Jerusalém informou que o cardeal Pierbattista Pizzaballa e o padre Francesco Ielpo foram barrados antes de chegar ao templo. Os dois viajavam sem cortejo, em conformidade com os protocolos de segurança vigentes, mas ainda assim foram obrigados a retornar.
Para a diocese, responsável pelos fiéis católicos em Israel, nos territórios palestinos, na Jordânia e no Chipre, o episódio “cria um precedente perigoso e demonstra falta de consideração pela sensibilidade de bilhões de pessoas em todo o mundo que, nesta semana, voltam seus olhares para Jerusalém”.
A polícia israelense justificou a medida pela configuração urbanística da Cidade Velha, descrita como “uma área complexa” que dificulta o acesso de serviços de emergência e “representa um risco real à vida humana”.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também invocou razões de segurança, associando a decisão ao estado de guerra que afeta a região desde 28 de fevereiro, data em que Israel e Estados Unidos atacaram o Irã.
Desde então, Israel proibiu aglomerações em espaços religiosos e públicos, com limite de 50 participantes por evento — regra que se aplica a igrejas, sinagogas e mesquitas.
Reações e desdobramentos
Washington, Paris, Madri e a União Europeia protestaram formalmente contra o bloqueio. O Papa Leão XIV, sem citar o incidente pelo nome, fez alusão à situação durante a oração do Angelus, no domingo, 29, em Roma, ao dizer que os cristãos do Oriente Médio “sofrem as consequências de um conflito terrível e que, em muitos casos, não podem vivenciar plenamente os ritos destes dias santos”.
Nesta segunda, o Patriarcado Latino e a Custódia da Terra Santa emitiram nota conjunta confirmando a realização das cerimônias da Semana Santa e da Páscoa na Igreja do Santo Sepulcro. O acesso dos representantes das igrejas foi negociado com a Polícia de Israel. As celebrações, contudo, ocorrerão com restrições de público e serão transmitidas ao vivo para fiéis na Terra Santa e no exterior.
O comunicado das duas instituições afirma que “a fé religiosa constitui um valor humano supremo, compartilhado por todas as religiões: judeus, cristãos, muçulmanos, drusos e outros” e que “salvaguardar a liberdade de culto permanece um dever fundamental e comum”. O texto encerra com a declaração de que as entidades “reafirmam seu compromisso com o diálogo, o respeito mútuo e a preservação do Status Quo”.
A Igreja do Santo Sepulcro fica na Cidade Velha de Jerusalém Oriental, área de maioria árabe ocupada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e posteriormente anexada — condição considerada ilegal pelo direito internacional. Os palestinos reivindicam a região como capital de um futuro Estado independente.
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