“Temos a oportunidade de chegar a um acordo histórico com o Líbano”, diz Netanyahu
Premiê de Israel confirma trégua, mas condiciona acordo final ao desmantelamento da milícia xiita Hezbollah e mantém tropas na região
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou nesta quinta-feira, 16, a aceitação de uma pausa de dez dias nos combates com o Líbano, estabelecendo como condição não negociável para qualquer acordo permanente o desmantelamento completo do Hezbollah.
Em pronunciamento, Netanyahu descreveu a situação como uma abertura para negociações que poderiam resultar em um acordo com Beirute: “Temos a oportunidade de chegar a um acordo histórico com o Líbano”. Deixou explícito, porém, que Israel não fará concessões quanto à sua presença militar na região.
Exigências militares de Israel
Netanyahu reafirmou que a segurança de Israel depende da eliminação total da capacidade militar do Hezbollah, organização apoiada pelo Irã. Segundo o primeiro-ministro, o grupo “deve ser desmantelado”, reproduzindo a posição israelita de que não há negociação possível sem o desarmamento prévio da milícia.
A permanência militar israelita no sul libanês configurará uma zona de segurança que se estenderá até a fronteira com a Síria. O governo de Tel Aviv rejeitou explicitamente a retirada das suas forças até ao limite internacional, conforme exigido pelo Hezbollah.
Netanyahu justificou a decisão: “Não aceitamos a exigência do Hezbollah de retirar nossas forças ao limite internacional. Continuaremos presentes no sul do Líbano com uma extensa zona de segurança”. O primeiro-ministro argumentou ser essa permanência essencial para impedir o reagrupamento da milícia e novos ataques ao norte de Israel.
Netanyahu ainda informou que as operações militares prosseguirão durante as negociações. Afirmou que as forças israelitas avançam na cidade estratégica de Bint Jbeil, reduto do Hezbollah no sul libanês, e que a região até ao rio Litani se tornará zona interdita para a organização: “A área até o Litani se converterá em zona proibida para o Hezbollah”.
Hezbollah não quer papo
O Hezbollah rejeitou qualquer acordo que permitisse a circulação livre de tropas israelitas em território libanês. Um porta-voz do grupo reafirmou que a presença militar estrangeira confere direito à resistência, declarando que “a ocupação outorga ao Líbano e ao seu povo o direito de resistir por todos os meios até que Israel se retire”.
O governo libanês, historicamente crítico da interferência direta do Hezbollah no conflito, recebeu com cautela o anúncio da trégua. O primeiro-ministro Nawaf Salam saudou a trégua como resposta a demandas anteriores, indicando que “o cessar de hostilidades foi a principal demanda do Líbano durante toda a guerra”.
Netanyahu enfatizou o apoio dos Estados Unidos à estratégia israelita. Afirmou que o presidente Trump se comprometeu a manter pressão sobre o Irã: “O presidente Trump me disse que está decidido a continuar o bloqueio do Estreito de Ormuz e a desmantelar as capacidades nucleares do Irã”.
A trégua começou nesta quinta-feira, depois de semanas de combates intensos que levaram Israel a lançar ofensivas terrestres e aéreas para expulsar o Hezbollah de territórios ao sul do rio Litani. O relativo sucesso do acordo dependerá, segundo Netanyahu, da disposição do Líbano em aceitar as condições de Israel.
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