Réptil que desapareceu durante 107 anos reaparece em Madagascar e fêmeas surpreendem cientistas com cores inesperadas
Réptil que desapareceu dos registros científicos por mais de um século voltou a ser encontrado no noroeste de Madagascar. Era o camaleão-de-Voeltzkow, espécie conhecida desde o século XIX e cuja redescoberta revelou fêmeas muito mais coloridas do que os pesquisadores esperavam. Qual foi o réptil que desapareceu e voltou a ser encontrado em Madagascar? A...
Réptil que desapareceu dos registros científicos por mais de um século voltou a ser encontrado no noroeste de Madagascar. Era o camaleão-de-Voeltzkow, espécie conhecida desde o século XIX e cuja redescoberta revelou fêmeas muito mais coloridas do que os pesquisadores esperavam.
Qual foi o réptil que desapareceu e voltou a ser encontrado em Madagascar?
A espécie é o camaleão-de-Voeltzkow (Furcifer voeltzkowi), descrito cientificamente em 1893 e associado ao noroeste de Madagascar. A Re:wild o inclui entre suas espécies perdidas e registra que ele havia sido visto pela última vez em 1913.
A expedição que localizou animais vivos ocorreu em 2018, enquanto a redescoberta foi publicada e anunciada em 2020. Por isso, algumas fontes de conservação apresentam o caso como um intervalo de 107 anos entre o último registro histórico e o anúncio científico.

Como os pesquisadores reencontraram o camaleão-de-Voeltzkow?
A equipe germano-malgaxe passou cerca de duas semanas procurando a espécie no noroeste da ilha. Depois de buscas em diferentes locais, exemplares foram encontrados na região de Katsepy, inclusive em vegetação secundária e áreas próximas a jardins.
O relato da Re:wild sobre a redescoberta informa que a expedição encontrou três machos e quinze fêmeas. Esse conjunto permitiu observar características que não estavam documentadas adequadamente em registros históricos.
Por que as fêmeas surpreenderam tanto os cientistas?
As fêmeas chamaram atenção porque apresentaram uma coloração muito mais variável e intensa do que a dos machos. Quando relaxadas, podem manter tons predominantemente verdes, mas o padrão muda bastante conforme estado reprodutivo, estresse ou interação com outros indivíduos.
Os pesquisadores documentaram combinações de preto, branco, roxo, azul, verde, laranja e vermelho. A descoberta foi especialmente importante porque a coloração viva das fêmeas não havia sido descrita dessa forma antes da expedição.
Alguns dados resumem por que o encontro ganhou destaque:
O que o estudo científico conseguiu esclarecer sobre a espécie?
O trabalho confirmou por características morfológicas e genéticas que os animais pertenciam a Furcifer voeltzkowi. Isso foi importante porque a espécie passou décadas envolvida em dúvidas taxonômicas e já havia sido tratada como sinônimo de outro camaleão de Madagascar.
O estudo publicado na revista Salamandra também comparou a espécie com parentes próximos e descreveu diferenças entre machos e fêmeas, ampliando informações sobre distribuição, aparência e relações genéticas.
Os cards organizam as principais informações reveladas pela pesquisa:
Como um camaleão conseguiu permanecer tanto tempo sem ser localizado?
Os cientistas suspeitam que o ciclo de vida ajude a explicar a ausência prolongada. Um parente próximo, o camaleão-de-Labord, passa boa parte do ano na forma de ovo e vive apenas alguns meses como indivíduo ativo, principalmente durante a estação chuvosa.
Os autores consideram possível que Furcifer voeltzkowi siga um padrão semelhante, mas essa hipótese ainda precisa de mais dados. A curta janela anual de atividade, somada ao acesso difícil a determinadas áreas na estação das chuvas, pode reduzir bastante as chances de encontro.
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A redescoberta significa que o camaleão está fora de perigo?
Não. Encontrar indivíduos vivos confirmou que a espécie sobrevive, mas o estudo apontou uma distribuição provavelmente fragmentada e habitats sujeitos a transformação. Isso impede tratar a redescoberta como prova de uma população ampla ou segura.
O resultado abriu uma nova etapa de pesquisa: determinar distribuição, tamanho populacional, reprodução e ameaças. Depois de mais de um século com informações escassas, conhecer as cores das fêmeas foi apenas uma das descobertas; entender como conservar a espécie permanece uma questão maior.
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