Procuradoria da Itália pede rejeição do segundo pedido de extradição de Zambelli
Para o órgão, o julgamento no Supremo Tribunal Federal que levou à segunda condenação da ex-deputada brasileira também foi afetado por falta de imparcialidade
A Procuradoria-Geral da Itália pediu, nesta quarta-feira, 1º, que a Corte Suprema de Cassação rejeite o segundo pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP).
Para o órgão, o julgamento no Supremo Tribunal Federal que levou à segunda condenação da ex-parlamentar brasileira também foi afetado por falta de imparcialidade.
O tribunal julgou o segundo pedido de extradição feito pelo Brasil à Itália nesta quarta. A decisão deve ser comunicada até o início da noite, no horário local.
Esse segundo processo se refere à condenação dela pelo STF pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, no caso em que perseguiu um jornalista com arma em punho, na véspera do segundo turno das eleições de 2022, nos Jardins, na capital paulista. Ela foi condenada a cinco anos e três meses de prisão.
Contaminação
Na audiência, o procurador-geral substituto Fabio Picuti acolheu a tese da defesa de Zambelli de “contaminação” do julgamento.
Para os advogados, a participação do ministro Alexandre de Moraes no colegiado comprometeu a imparcialidade da decisão.
“Acolhi as argumentações da defesa concordando que pode ter havido contaminação”, disse Picuti após a audiência.
A Advocacia-Geral da União contestou o argumento.
Enrico Giarda, representante da AGU no julgamento, alegou que o caso das armas foi relatado pelo decano Gilmar Mendes, o que enfraquece a tese de contaminação.
Primeiro processo
No primeiro processo para extradição de Zambelli, referente à condenação dela a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos, a extradição foi barrada.
Em maio, a Corte de Cassação – última instância da Justiça italiana – revogou a decisão da Corte de Apelação de Roma que havia autorizado a extradição dela ao Brasil.
Foi acatado um recurso apresentado pelos advogados da ex-parlamentar contra a decisão de março.
No recurso, os advogados apresentaram questionamentos sobre o sistema carcerário brasileiro, críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e possíveis irregularidades processuais.
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Comentários (1)
Aldo
01.07.2026 19:09Autorizar a extradição por conta desse outro processo é o mesmo que ter extraditado por conta do outro onde foi encontrada a parcialidade do ministro multi-tarefas Alexandre de Moraes. Serão aplicadas as duas penas.