Por que Trump “descartou” Bolsonaro?
"Se há algo que Donald Trump não tolera são perdedores", disse o diplomata John Feeley à BBC Brasil
John Feeley, ex-embaixador dos EUA no Panamá, disse à BBC Brasil que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “descartou” o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) por tolerar “perdedores”.
Em entrevista, o diplomata, atual diretor-executivo do Centro para a Integridade da Mídia das Américas (CMIA, na sigla em inglês), disse que Trump “explorou cinicamente entre uma parcela de seus eleitores do MAGA [Make America Great Again]”.
“E assim que Bolsonaro perdeu, ou seja, assim que foi condenado e preso, Donald Trump o viu como um perdedor, e se há algo que Donald Trump não tolera são perdedores”, acrescentou.
“Portanto, repito: não acho que Donald Trump saiba muito sobre Bolsonaro. Posso quase garantir que ele não acorda todos os dias pensando no Brasil. E assim que Bolsonaro deixou de ser uma referência na política brasileira e o Estado de Direito e a justiça democrática prevaleceram no Brasil, Donald Trump simplesmente o descartou“, continuou.
Lobby de Eduardo Bolsonaro
Para Feeley, a reação inicial do governo Trump ao julgamento de Bolsonaro foi resultado “direto” do lobby de Eduardo Bolsonaro em Washington.
“Trump pode ser manipulado por assessores da K Street [rua de Washington usada para se referir à indústria de lobby americana], por pessoas que conseguem chegar a figuras importantes dentro do governo, e vimos isso muitas e muitas vezes nos últimos 10 meses.
Então, acho que teve mais a ver com isso do que com qualquer estratégia consciente em nome do Estado ou que tenha emanado de Marco Rubio no Departamento de Estado.”
Trump e Bolsonaro
Em julho, Donald Trump citou Jair Bolsonaro ao comunicar o presidente Lula (PT) sobre as tarifas de 50% impostas ao Brasil.
O governo americano também aplicou sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, com base na Lei Magnitsky, em 30 de julho.
Desde então, o governo Trump foi aliviando a pressão sobre o Brasil.
Os EUA retiraram as tarifas extras de 40% sobre carne, café e outros produtos brasileiros em 21 de novembro.
Apesar da condenação e da prisão de Jair Bolsonaro, o governo Trump retirou as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane, em 12 de dezembro.
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