Papa liga a Putin e pede trégua em cidade ocupada na Ucrânia
Leão XIV, em recuperação de cirurgia no pulmão, solicitou ajuda humanitária e retirada voluntária de civis em Oleshky; Putin nega
O papa Leão XIV telefonou nesta sexta-feira, 16, ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, para pedir uma trégua em Oleshky, cidade ocupada da região ucraniana de Kherson. A ligação partiu do hospital Gemelli, em Roma, onde ele se recupera da cirurgia no pulmão feita na terça-feira, 13.
Em comunicado, o Vaticano informou que o papa transmitiu a Putin “profunda preocupação com a grave crise humanitária” em Oleshky. A localidade está sob ocupação, e as tropas russas intensificam a ofensiva em Kherson.
Leão pediu “uma trégua que permita a chegada de ajuda alimentar e sanitária, bem como a evacuação voluntária e segura da população civil”. A nota termina com a frase: “Por fim, o Santo Padre reiterou o compromisso da Santa Sé em favor do diálogo e da paz”.
Eleito em maio de 2025, o papa repete apelos pelo fim da guerra e oferece o Vaticano como sede de uma negociação entre Kiev e Moscou. Em 4 de junho daquele ano, falou pela primeira vez com Putin e cobrou dele um “gesto que favoreça a paz”. Já recebeu o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, em várias ocasiões.
Recuperação e agenda
Parte do pulmão do pontífice foi removida na terça por causa de um adenocarcinoma. Ele revelou o diagnóstico no domingo, 11, depois do Ângelus. Os boletins médicos indicam “melhora constante”, e ele já recuperou a autonomia.
Leão XIV está no quarto dia de convalescença. A agenda oficial segue suspensa até 20 de outubro, mas na sexta ele recebeu, em separado, o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, recém-designado decano do Colégio Cardinalício, e o cardeal Baldassare Reina, vigário da diocese de Roma.
No Ângelus de 11 de outubro, o papa tratou do comércio de grãos: “A guerra na martirizada Ucrânia continua causando sofrimentos muito além de suas fronteiras, especialmente nos países mais pobres, onde tantas pessoas dependem da importação de cereais”, afirmou da janela do Palácio Apostólico.
Ele pediu às partes que “permitam o transporte seguro de cereais pelo mar Negro”, porque “o pão de cada dia de milhões de pessoas não pode ser refém da guerra”.
A posição de Moscou
Do lado russo, não há sinal de abertura. Putin mantém reuniões com chefes militares e disse, em visita ao posto de comando auxiliar do Grupo Conjunto de Forças, que a zona de segurança na fronteira não entrará em negociações.
Segundo o ditador, depois da incursão das Forças Armadas ucranianas na região de Kursk, as tropas russas receberam ordem de expulsar o inimigo e de criar essa zona. Ele afirmou que a tarefa avança com êxito.
“Nosso objetivo é garantir a segurança absoluta nos territórios fronteiriços da Rússia no futuro, e não planejamos transformar isso em objeto de possíveis negociações de paz com a Ucrânia”, declarou o ditador russo.
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