PF pede mais 90 dias para apurar ‘Dark Horse’
Inquérito no STF apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro
A Polícia Federal (PF) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação por 90 dias do inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, que narra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A cinebiografia se tornou alvo de uma investigação no Supremo sobre o financiamento da produção pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Aberto em julho, o inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme.
Em paralelo, a PF investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares indicadas pelo deputado federal Mario Frias (PL) a entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse.
Mário Frias
Em 13 de setembro, o ministro Flávio Dino retirou o sigilo de cerca de 5 mil páginas da investigação sobre a produção de Dark Horse.
Dino afirmou que a publicidade pode evitar “vazamentos seletivos”.
“Aparentemente essa diretriz deriva da ideia de a publicidade prevenir ‘vazamentos seletivos’, que de fato constituem grave vício a ser combatido. Tais vazamentos seletivos quebram a imparcialidade na condução da investigação criminal e do processo penal, na medida em que a autoridade estatal passa a escolher alvos, de acordo com amizades e inimizades, ou outros interesses ilegítimos, tais como ‘agradar’ detentores de poder econômico ou político, alimentar passeatas e outros ‘espetáculos’, ou mesmo gerar ganhos financeiros”, diz trecho da decisão., diz trecho da decisão.
O ministro também cita Mário Frias (PL-SP), idealizador e produtor executivo do filme, ao descrever a linha investigativa.
Segundo o despacho, o deputado “- no terreno hipotético da investigação – ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”.
Frias foi alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 10.
A operação investiga suspeitas de desvios de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção de Dark Horse.
Em 2024, Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme.
Uma das emendas, de R$ 1 milhão, seria destinada a um programa de empreendedorismo em Pirassununga (SP) que não foi executado.
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