Dois ossos minúsculos encontrados em lugares diferentes da Austrália acabaram pertencendo à mesma ave desconhecida que viveu no Cretáceo
Fósseis raros de Queensland revelam uma nova ave do Cretáceo e ampliam o conhecimento sobre a evolução dos pássaros na Austrália
Dois ossos finos e delicados, encontrados em pontos diferentes de uma região do interior da Austrália, revelaram informações inesperadas sobre aves que viveram há aproximadamente 100 milhões de anos. Os fósseis apareceram perto de Richmond, no estado de Queensland, em rochas formadas quando um vasto mar cobria parte do continente. Um deles permitiu identificar Tenuicruris piscanexum, apenas a segunda espécie de ave do Cretáceo formalmente nomeada na Austrália. O outro pertence a uma ave do mesmo grande grupo evolutivo, mas sua espécie ainda não foi determinada. A descoberta, publicada em setembro de 2026, amplia um registro fóssil extremamente escasso.
Como os fósseis de Tenuicruris piscanexum foram encontrados na Austrália?
A descoberta começou quando Kevin Petersen, então curador do museu Kronosaurus Korner, encontrou um osso comprido e estreito em uma área de coleta de fósseis próxima a Richmond. Ele enviou uma fotografia ao paleontólogo Matt White, da Universidade de New England, que reconheceu características de uma ave pré-histórica.
Cerca de uma semana depois, outro osso apareceu em um ponto diferente da mesma região. Ambos vieram da Formação Toolebuc, formada durante o Cretáceo Inferior, quando grandes extensões da Austrália estavam cobertas por águas marinhas relativamente rasas.
O que os ossos de Tenuicruris piscanexum revelaram aos pesquisadores?
O primeiro fóssil corresponde a um tibiotarso esquerdo quase completo, osso da parte inferior da perna das aves. Sua anatomia apresentou uma combinação de características que permitiu reconhecer uma espécie ainda não descrita.
O segundo material é um tarsometatarso direito, osso formado pela fusão de elementos do pé. Embora pertença ao mesmo grupo de aves primitivas, os cientistas não conseguiram demonstrar que pertencia à mesma espécie do primeiro exemplar.
As principais informações são:
- Dois ossos encontrados em localidades diferentes perto de Richmond;
- Fósseis com aproximadamente 100 milhões de anos;
- Um tibiotarso associado à nova espécie;
- Um tarsometatarso de identidade específica incerta;
- Classificação de ambos no grupo Enantiornithes;
- Segunda ave cretácea formalmente nomeada na Austrália.

Por que encontrar ossos de aves do Cretáceo é tão raro?
As aves apresentam ossos relativamente leves e frequentemente delicados, características relacionadas às adaptações que surgiram ao longo de sua evolução. Essas estruturas podem se quebrar ou desaparecer antes que os processos de fossilização consigam preservá-las.
Na Austrália, o problema é agravado pela escassez de depósitos com restos de aves desse período. Embora pesquisadores tenham identificado penas, pegadas e fragmentos ósseos, esqueletos relativamente completos continuam extremamente raros. Por isso, até mesmo um único osso pode acrescentar informações importantes.
Como os cientistas confirmaram que existia uma nova espécie de ave?
O estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, em 28 de setembro de 2026, foi conduzido por Matt White, Joseph Bevitt, Kevin Petersen e Matthew Herne.
A equipe realizou comparações anatômicas e análises filogenéticas, além de utilizar tomografia por nêutrons para investigar o tarsometatarso. O tibiotarso apresentou diferenças em relação ao de Nanantius eos, espécie australiana descrita em 1986. As características sustentaram a identificação de Tenuicruris piscanexum, enquanto o segundo osso permaneceu sem atribuição definitiva.
Quais características ajudam a reconstruir essa ave pré-histórica?
A nova espécie pertencia aos enantiornites, grupo de aves que viveu durante o Cretáceo e desapareceu na extinção em massa de aproximadamente 66 milhões de anos atrás. Seus representantes apresentavam características diferentes daquelas encontradas nas aves modernas.
Os pesquisadores estimam que Tenuicruris tivesse aproximadamente o tamanho de um peru-do-mato australiano. A possibilidade de possuir dentes e capturar peixes foi considerada a partir de parentes evolutivos e do ambiente de deposição, mas essas características não foram observadas diretamente nos dois ossos.
| Característica | Informação científica |
|---|---|
| Nova espécie | Tenuicruris piscanexum |
| Idade aproximada | 100 milhões de anos |
| Fóssil principal | Tibiotarso esquerdo |
| Segundo fóssil | Tarsometatarso direito de 32,7 mm |
| Grupo evolutivo | Enantiornithes |
Como dois pequenos fósseis podem mudar a história das aves australianas?
Antes dessa pesquisa, Nanantius eos era a única ave do Cretáceo formalmente nomeada a partir de fósseis australianos. A identificação de Tenuicruris demonstra que pelo menos duas linhagens distintas desse grupo viveram na região durante o período.
O segundo osso também oferece uma informação inédita: representa o primeiro tarsometatarso de ave cretácea descrito no continente. Entretanto, ele pode pertencer a uma das espécies já conhecidas ou a outra ainda não identificada. Novas descobertas serão necessárias para esclarecer sua identidade e reconstruir com maior precisão a diversidade de aves que habitavam a Austrália quando grande parte de Queensland estava sob o mar.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)