Com 78 km de faixas adicionais, 43 km de marginais e 32 novas passarelas, um pacote de R$ 8 bilhões vai transformar rodovias que ligam a maior metrópole do país ao interior
A reconfiguração de pistas e acessos busca separar o tráfego que segue viagem dos deslocamentos urbanos em pontos de grande movimento.
O trânsito entre bairros, áreas empresariais e cidades próximas exige mais do que acrescentar pistas a uma rodovia. O projeto Nova Raposo, em São Paulo, prevê cerca de R$ 8 bilhões em investimentos para ampliar faixas, implantar vias marginais e reorganizar travessias no sistema Raposo-Castello.
Que estradas integram o corredor Nova Raposo?
O programa envolve trechos da Rodovia Raposo Tavares (SP-270) e do eixo da Castello Branco (SP-280), além de ligações de acesso. São caminhos utilizados tanto por viagens entre cidades quanto pela circulação cotidiana na região metropolitana.
Uma rodovia próxima de áreas adensadas enfrenta movimentos frequentes de entrada, saída e retorno. Quando esses deslocamentos se misturam a veículos que percorrem distâncias maiores, a organização dos acessos passa a ser tão relevante quanto a largura da pista.

Como serão usados os 78 km de faixas adicionais?
O plano de concessão prevê 78 km de faixas adicionais e 22 km de duplicações. Faixas adicionais ampliam a capacidade de segmentos existentes; a duplicação, por sua vez, cria uma nova pista em trechos originalmente de pista simples.
As duas soluções são aplicadas conforme as características de cada local. Nem todo trecho recebe a mesma intervenção, pois a necessidade de capacidade muda nas aproximações de cidades, nos entroncamentos e em segmentos de circulação mais intensa.
O pacote contempla quatro tipos de intervenção:
Por que serão construídos 43 km de marginais?
As vias marginais permitem organizar parte dos trajetos curtos em paralelo à rodovia principal. Os 43 km previstos procuram reduzir a dependência de entradas e saídas diretas nos pontos em que bairros, comércios e serviços geram deslocamentos repetidos.
Esse arranjo só funciona quando as conexões com ruas e avenidas são bem dimensionadas. Caso contrário, o congestionamento pode apenas mudar de posição, saindo da pista principal e se concentrando em acessos ou cruzamentos próximos.
O que está previsto para pedestres e monitoramento?
As 32 novas passarelas deverão oferecer travessias em pontos selecionados da concessão. A modernização também inclui melhorias de acesso e recursos de monitoramento, que atuam sobre problemas diferentes da capacidade de circulação dos veículos.
Para 2027, o programa estadual anunciou uma etapa com novas câmeras de detecção de incidentes, equipamentos de análise do tráfego e fiscalização eletrônica. Esses dispositivos complementam a infraestrutura física, mas não substituem calçadas, passarelas e sinalização adequada.
As intervenções combinam mobilidade e operação da rodovia:
Qual é a escala do investimento previsto?
O contrato de concessão prevê investimento superior a R$ 8 bilhões ao longo de 30 anos. O montante abrange ampliações, obras de segurança e serviços necessários ao funcionamento das rodovias concedidas.
A Ecovias Raposo Castello começou a operar os trechos em março de 2025. A responsabilidade pela operação é imediata, mas as ampliações seguem cronogramas específicos: abertura de concessão e conclusão das obras não são a mesma etapa.
Quando as mudanças poderão reduzir os gargalos?
A ampliação das faixas pode trazer ganhos quando os trechos previstos forem concluídos e integrados aos demais acessos. Em áreas urbanizadas, porém, o resultado depende também do volume de veículos que chega das avenidas e das condições dos cruzamentos.
Os efeitos precisam ser acompanhados por dados de circulação e segurança depois de cada entrega. Enquanto as obras avançam, as alterações temporárias de pista e os acessos provisórios exigem atenção de quem utiliza diariamente o corredor.
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