Nicarágua adia reforma que proíbe oposição
Aprovação de mudança constitucional, marcada para agosto, passa para setembro após consultas com diplomatas e outros setores
A Assembleia Nacional da Nicarágua, controlada pelo ditador Daniel Ortega, decidiu prorrogar para os primeiros dias de setembro a votação de uma reforma constitucional que impede partidos de oposição de disputar eleições no país.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 27, pela copresidente Rosario Murillo, e a medida havia sido inicialmente prevista para votação no início de agosto.
Consulta a diversos setores
Segundo Murillo, o texto foi apresentado ao corpo diplomático nesta segunda, e uma comissão especial ainda vai colher contribuições antes de levar o relatório final ao plenário. “Assim que o processo de consulta estiver concluído, a comissão especial preparará o relatório correspondente para apresentação à sessão plenária, com o objetivo de aprovar a reforma constitucional nos primeiros dias de setembro”, declarou a copresidente a um veículo estatal.
A consulta deve envolver o Supremo Tribunal, as Forças Armadas, a Polícia, representantes dos setores empresarial e bancário, igrejas e povos indígenas.
Sobre a primeira rodada de conversas com diplomatas, Murillo afirmou: “Estamos aguardando os resultados deste primeiro encontro respeitoso e amigável com a comunidade diplomática”.
Reações no exterior
A proposta, que busca barrar do pleito adversários do ditador Daniel Ortega — chamados por ele de “traidores” e “golpistas” a serviço dos Estados Unidos —, gerou críticas de governos e organismos internacionais.
Washington declarou que não permanecerá inerte diante do que chamou de regime autoritário, enquanto a União Europeia pediu que o país realize votações alinhadas a parâmetros internacionais.
Em resposta ao bloco europeu, o governo nicaraguense classificou as objeções como “intervencionistas e imperialistas”, afirmando: “Não somos vassalos de ninguém”.
Já o presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, informou que romperá vínculos diplomáticos com Manágua e Havana ao tomar posse, em 7 de agosto, dizendo que não manterá “nenhum laço com tiranias”.
As eleições gerais nicaraguenses, previstas para novembro deste ano, já haviam sido adiadas para 2027 por uma reforma anterior que ampliou de cinco para seis anos o mandato presidencial.
Ortega, de 80 anos, e Murillo, de 75, governam o país desde 2007 e enfrentam desde 2018 acusações de repressão a opositores, período em que protestos deixaram mais de 300 mortos, segundo dados da ONU citados no texto de origem.
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