Mais de 800 pedras usadas para afiar armas revelam uma fábrica romana que permaneceu escondida por quase 2 mil anos
Resíduos de produção e âncoras indicam que o complexo abastecia uma rede comercial muito maior do que os arqueólogos imaginavam.
Uma fábrica romana ativa há quase 2 mil anos surgiu em Offerton, perto de Sunderland, após a recuperação de mais de 800 pedras de amolar. Âncoras antigas, rejeitos e o acesso ao rio Wear indicam produção em escala e distribuição para mercados distantes.
O que foi encontrado na fábrica romana perto de Sunderland?
Arqueólogos localizaram mais de 800 pedras de amolar, barras de arenito usadas para afiar espadas, facas e ferramentas. O conjunto é considerado o maior achado desse tipo e período conhecido no noroeste da Europa.
A escavação ocorreu em Offerton, na margem do rio Wear, com participação da Universidade de Durham e de voluntários. Antes da descoberta, aproximadamente 250 peças romanas semelhantes haviam sido registradas nas Ilhas Britânicas.

Como as pedras eram produzidas pelos romanos?
Os pesquisadores propõem que o arenito era extraído na margem norte e levado para uma área mais plana ao sul. Ali, os blocos seriam cortados e padronizados como barras adequadas ao uso cotidiano e militar.
Grande parte do material está quebrada ou apresenta falhas naturais, sinal de descarte durante a fabricação. As peças aprovadas provavelmente deixavam o local, enquanto lascas e unidades fora do padrão eram lançadas junto à margem.
Os vestígios permitem reconstruir etapas centrais da produção:
O que as âncoras revelam sobre a distribuição pelo rio?
O complexo está ligado a 11 âncoras de pedra: cinco surgiram na escavação recente e seis haviam sido identificadas nas proximidades em 2022. O conjunto reforça a presença de embarcações operando nesse trecho do Wear.
Os barcos poderiam atravessar matéria-prima entre as margens e conduzir produtos acabados em direção à costa. A partir dali, as pedras teriam condições de alcançar outras partes da Britânia romana e rotas marítimas para o continente europeu.
A relação entre objetos, produção e transporte fica organizada assim:
Como os pesquisadores determinaram a idade do complexo?
A camada de sedimentos que continha as pedras passou por análise de luminescência opticamente estimulada. O método estima quando minerais foram expostos à luz pela última vez e situou o depósito entre 104 e 238 d.C.
A datação coloca a atividade no período romano da Inglaterra e afasta a hipótese de uma oficina moderna. A Universidade de Durham relaciona o sítio às redes de produção e comércio do norte militarizado da província.
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Por que a fábrica romana muda a história industrial da região?
A descoberta amplia em mais de 1.800 anos a história conhecida naquele trecho do Wear. Sunderland já era associada à construção naval, carvão, vidro e automóveis, mas o complexo desloca suas raízes industriais para a Antiguidade.
O sítio corrige a percepção de pouca presença romana perto da cidade, situada a cerca de 16 quilômetros da Muralha de Adriano. Novas escavações podem localizar áreas de extração, oficinas e milhares de peças enterradas.
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