Maior rede de móveis do país fecha 302 lojas após 87 anos e elimina 4.400 empregos com dívida de R$ 4,3 bilhões
Uma expansão acelerada, crédito próprio e dificuldades financeiras explicam como uma potência do varejo perdeu espaço em poucos meses.
A maior rede de móveis dos Estados Unidos chegou à Justiça em agosto de 2000 depois de crescer depressa e perder o controle das finanças. A Heilig-Meyers anunciou 302 fechamentos e 4.400 cortes, enquanto dívidas convertidas hoje se aproximam de R$ 4,3 bilhões.
Qual empresa liderava a rede de móveis do país?
A Heilig-Meyers nasceu em 1913, em Goldsboro, na Carolina do Norte, pelas mãos de William Heilig e J. Max Meyers. A empresa começou com uma loja e avançou principalmente por cidades pequenas, onde grandes concorrentes tinham presença limitada.
Em 1986, tornou-se a maior varejista de móveis com ações negociadas publicamente nos Estados Unidos. Compras de redes regionais ampliaram sua presença nacional, levando a companhia a superar mil unidades durante a década de 1990.

Por que a Heilig-Meyers entrou em crise?
A expansão acumulou lojas, centros de distribuição e operações difíceis de integrar. Entre 1995 e o primeiro semestre de 2000, o total avançou de 647 para aproximadamente 872 estabelecimentos, sustentado por aquisições em diferentes regiões.
Outro problema estava no crédito próprio oferecido aos consumidores. Aumento da inadimplência, custos financeiros e mudança dos clientes para cartões pressionaram o modelo. No exercício encerrado em fevereiro de 2000, a rede registrou prejuízo próximo de US$ 59 milhões.
Quantas lojas e vagas desapareceram no primeiro corte?
Ao solicitar proteção judicial em 16 de agosto de 2000, a varejista informou que encerraria 302 das 873 lojas. A redução atingiria cerca de um terço da estrutura e eliminaria 4.400 empregos.
Somente na Califórnia seriam fechadas 81 unidades e um centro de distribuição, com aproximadamente 1.400 demissões. As liquidações das 302 lojas começaram em setembro e ajudaram a financiar despesas do fechamento e a operação temporária dos pontos restantes.
Os números representam momentos diferentes do colapso:
A dívida realmente correspondia a R$ 4,3 bilhões?
O balanço de maio de 2000 apontava US$ 836,3 milhões em passivos e US$ 1,35 bilhão em ativos. Arredondar os passivos para US$ 840 milhões e aplicar o câmbio de agosto de 2026, próximo de R$ 5,08, produz cerca de R$ 4,3 bilhões.
Esse montante em reais serve apenas como referência atual. Pela cotação da época, ao redor de R$ 1,81 por dólar, o mesmo valor nominal equivaleria a aproximadamente R$ 1,5 bilhão, sem correção pela inflação.
O pedido de falência encerrou toda a operação imediatamente?
Não. A empresa recorreu ao Capítulo 11 da legislação americana, mecanismo que permite reorganização sob supervisão judicial. As unidades não incluídas na primeira rodada continuaram abertas enquanto a companhia tentava reduzir custos e reorganizar o crédito.
O esforço não estabilizou a bandeira principal. Em abril de 2001, a Heilig-Meyers decidiu encerrar as lojas restantes e concentrar recursos na RoomStore, operação menor voltada a mercados metropolitanos.
A sequência registrada no processo foi esta:
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O que restou da Heilig-Meyers após 87 anos?
Segundo o documento do processo arquivado na SEC, todas as lojas Heilig-Meyers estavam fechadas até junho de 2001. A empresa havia operado cerca de 814 pontos da bandeira principal e 58 RoomStores antes do pedido.
A RoomStore continuou como negócio separado dentro da reorganização, mas não preservou a antiga rede nacional. Assim, os 302 fechamentos foram o começo do desmonte, não seu total definitivo.
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