Maior rede de móveis do país fecha 302 lojas após 87 anos e elimina 4.400 empregos com dívida de R$ 4,3 bilhões

05.08.2026

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Maior rede de móveis do país fecha 302 lojas após 87 anos e elimina 4.400 empregos com dívida de R$ 4,3 bilhões

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Maior rede de móveis do país fecha 302 lojas após 87 anos e elimina 4.400 empregos com dívida de R$ 4,3 bilhões

Uma expansão acelerada, crédito próprio e dificuldades financeiras explicam como uma potência do varejo perdeu espaço em poucos meses.

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A maior rede de móveis dos Estados Unidos chegou à Justiça em agosto de 2000 depois de crescer depressa e perder o controle das finanças. A Heilig-Meyers anunciou 302 fechamentos e 4.400 cortes, enquanto dívidas convertidas hoje se aproximam de R$ 4,3 bilhões.

Qual empresa liderava a rede de móveis do país?

A Heilig-Meyers nasceu em 1913, em Goldsboro, na Carolina do Norte, pelas mãos de William Heilig e J. Max Meyers. A empresa começou com uma loja e avançou principalmente por cidades pequenas, onde grandes concorrentes tinham presença limitada.

Em 1986, tornou-se a maior varejista de móveis com ações negociadas publicamente nos Estados Unidos. Compras de redes regionais ampliaram sua presença nacional, levando a companhia a superar mil unidades durante a década de 1990.

Maior rede de móveis do país fecha 302 lojas após 87 anos e elimina 4.400 empregos com dívida de R$ 4,3 bilhões
Maior rede de móveis do país fecha 302 lojas após 87 anos e elimina 4.400 empregos com dívida de R$ 4,3 bilhões

Por que a Heilig-Meyers entrou em crise?

A expansão acumulou lojas, centros de distribuição e operações difíceis de integrar. Entre 1995 e o primeiro semestre de 2000, o total avançou de 647 para aproximadamente 872 estabelecimentos, sustentado por aquisições em diferentes regiões.

Outro problema estava no crédito próprio oferecido aos consumidores. Aumento da inadimplência, custos financeiros e mudança dos clientes para cartões pressionaram o modelo. No exercício encerrado em fevereiro de 2000, a rede registrou prejuízo próximo de US$ 59 milhões.

Quantas lojas e vagas desapareceram no primeiro corte?

Ao solicitar proteção judicial em 16 de agosto de 2000, a varejista informou que encerraria 302 das 873 lojas. A redução atingiria cerca de um terço da estrutura e eliminaria 4.400 empregos.

Somente na Califórnia seriam fechadas 81 unidades e um centro de distribuição, com aproximadamente 1.400 demissões. As liquidações das 302 lojas começaram em setembro e ajudaram a financiar despesas do fechamento e a operação temporária dos pontos restantes.

Os números representam momentos diferentes do colapso:

873 lojas existiam quando o pedido foi apresentado
302 unidades integraram a primeira rodada de liquidação
4.400 postos de trabalho foram eliminados nessa etapa
As demais lojas da bandeira fecharam posteriormente

A dívida realmente correspondia a R$ 4,3 bilhões?

O balanço de maio de 2000 apontava US$ 836,3 milhões em passivos e US$ 1,35 bilhão em ativos. Arredondar os passivos para US$ 840 milhões e aplicar o câmbio de agosto de 2026, próximo de R$ 5,08, produz cerca de R$ 4,3 bilhões.

Esse montante em reais serve apenas como referência atual. Pela cotação da época, ao redor de R$ 1,81 por dólar, o mesmo valor nominal equivaleria a aproximadamente R$ 1,5 bilhão, sem correção pela inflação.

O pedido de falência encerrou toda a operação imediatamente?

Não. A empresa recorreu ao Capítulo 11 da legislação americana, mecanismo que permite reorganização sob supervisão judicial. As unidades não incluídas na primeira rodada continuaram abertas enquanto a companhia tentava reduzir custos e reorganizar o crédito.

O esforço não estabilizou a bandeira principal. Em abril de 2001, a Heilig-Meyers decidiu encerrar as lojas restantes e concentrar recursos na RoomStore, operação menor voltada a mercados metropolitanos.

A sequência registrada no processo foi esta:

Data Decisão Efeito
Agosto de 2000 Pedido judicial
Entrada no Capítulo 11
Reorganização iniciada
Setembro de 2000 Primeira liquidação
Fechamento de 302 lojas
4.400 empregos cortados
Junho de 2001 Fim da bandeira
Últimas unidades encerradas
RoomStore permaneceu

Leia também: Depois de fechar 343 das 587 lojas, desativar três centros de distribuição e acumular R$ 1,1 bilhão de passivo

O que restou da Heilig-Meyers após 87 anos?

Segundo o documento do processo arquivado na SEC, todas as lojas Heilig-Meyers estavam fechadas até junho de 2001. A empresa havia operado cerca de 814 pontos da bandeira principal e 58 RoomStores antes do pedido.

A RoomStore continuou como negócio separado dentro da reorganização, mas não preservou a antiga rede nacional. Assim, os 302 fechamentos foram o começo do desmonte, não seu total definitivo.

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