Maior águia da Europa desapareceu de um país por mais de 100 anos e 245 filhotes foram soltos para fazê-la dominar os céus novamente
Após mais de um século ausente, a espécie voltou a formar casais e produzir filhotes em território irlandês após 18 anos de reintroduções.
A maior águia da Europa desapareceu da Irlanda por mais de um século, mas um programa iniciado em 2007 conseguiu fazê-la voltar ao país. Até 2025, 245 filhotes haviam sido reintroduzidos, enquanto aves nascidas em território irlandês já voltavam a ocupar os céus.
Qual é a maior águia da Europa que voltou à Irlanda?
A espécie é a águia-rabalva (Haliaeetus albicilla), uma grande ave de rapina associada a costas, rios e lagos. Ela pode alcançar cerca de 2,5 metros de envergadura e é descrita pela Rewilding Europe como a maior águia do continente.
Depois de desaparecer da Irlanda no século XIX, a espécie começou a retornar por meio de um programa de reintrodução. A Rewilding Europe destaca sua grande dimensão e sua distribuição ligada principalmente a grandes corpos d’água.

Por que a águia-rabalva desapareceu da Irlanda por mais de 100 anos?
A águia-rabalva foi eliminada da Irlanda durante o século XIX, principalmente em consequência da perseguição humana. O desaparecimento rompeu uma presença histórica da espécie na ilha e deixou o país sem uma população reprodutiva durante mais de um século.
A recuperação começou em 2007, quando jovens vindos da Noruega passaram a ser levados para a Irlanda. Entre 2007 e 2011, a primeira fase liberou 100 aves no Parque Nacional de Killarney, no condado de Kerry.
Como 245 filhotes ajudaram a reconstruir a população?
Ao longo de todo o programa, cerca de 245 filhotes foram reintroduzidos na Irlanda desde 2007. As aves jovens eram transportadas da Noruega, mantidas temporariamente em locais seguros, marcadas e depois liberadas em diferentes pontos capazes de favorecer sua dispersão.
Uma segunda fase começou em 2020 para reforçar a população já existente. Os filhotes receberam rastreadores por satélite, permitindo acompanhar deslocamentos, sobrevivência e formação de territórios enquanto as águias se espalhavam por diferentes regiões irlandesas.
Os principais marcos da recuperação foram:
O que aconteceu na fase final do programa em 2025?
O ano de 2025 marcou o encerramento do programa de reintrodução, com a previsão de liberação dos 26 últimos filhotes. Em agosto, quatro integrantes desse grupo final foram soltos no Parque Nacional de Killarney durante o ato que marcou a conclusão do projeto.
O encerramento não significou o fim do acompanhamento. As aves liberadas receberam transmissores por satélite, recurso usado para acompanhar movimentos e identificar onde os indivíduos se estabelecem, enquanto fatores como doenças, clima adverso e envenenamento ilegal continuam sendo ameaças.
Os dados da etapa final mostram a dimensão alcançada:
A águia já voltou a se reproduzir sozinha na Irlanda?
Sim. O National Parks and Wildlife Service informou que havia 17 casais conhecidos em 2025. A reprodução já ocorre desde 2012, quando foi confirmado o primeiro sucesso reprodutivo em Lough Derg.
Em 2024, dez casais produziram 13 filhotes nascidos na natureza. Em Killarney, dois jovens conseguiram deixar o ninho em 2025 pelo quarto ano seguido, sinal de que algumas áreas já sustentam reprodução sem depender diretamente de novas liberações.
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O retorno da espécie significa que a recuperação está garantida?
A população apresenta sinais concretos de estabelecimento, mas continua dependente de monitoramento e proteção. Em 2025, o governo irlandês estimava aproximadamente 150 águias vivendo livres, número considerado suficiente para uma população capaz de se manter, embora ameaças ainda permaneçam.
Doenças, gripe aviária, eventos climáticos extremos e envenenamentos ilegais podem afetar as aves. O resultado mais importante dos 18 anos de trabalho é que a Irlanda voltou a ter águias-rabalvas formando territórios, reproduzindo-se e produzindo filhotes nascidos novamente em seu próprio território.
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