Gigante que quase desapareceu das florestas consegue voltar e recuperação se torna símbolo de esperança para outros animais ameaçados
De cerca de 150 animais em 1992 para até 750 em 2016, recuperação combinou proteção, novas populações e restauração de mais de 750 mil acres.
O urso-negro-da-Louisiana chegou a ter apenas cerca de 150 indivíduos quando recebeu proteção federal nos Estados Unidos em 1992. Depois de décadas de restauração florestal, novas populações e manejo conjunto, a espécie saiu da lista federal em 2016.
Qual é o gigante que quase desapareceu das florestas do sul dos Estados Unidos?
Trata-se do urso-negro-da-Louisiana (Ursus americanus luteolus), subespécie historicamente encontrada na Louisiana, no leste do Texas e no sudoeste do Mississippi. O U.S. Fish & Wildlife Service descreve o animal como um grande mamífero de pelagem preta e focinho castanho-amarelado.
Desmatamento, fragmentação do habitat e mortalidade causada por humanos reduziram sua distribuição durante os séculos XIX e XX. Quando recebeu status de ameaçado em 1992, o governo federal estimava que restavam apenas cerca de 150 ursos em habitat da Louisiana.

Por que a espécie chegou tão perto de desaparecer?
Segundo o U.S. Fish & Wildlife Service, a perda de florestas de várzea foi uma das principais causas do declínio. Áreas antes contínuas foram convertidas para agricultura e outras atividades, deixando grupos pequenos e isolados em diferentes bacias hidrográficas.
O isolamento aumentava problemas demográficos e genéticos, enquanto a qualidade do habitat continuava ameaçada. Em 1992, três subpopulações reprodutivas conhecidas estavam restritas às regiões de Tensas e dos rios Atchafalaya Superior e Inferior.
Quais ações fizeram a população voltar a crescer?
A recuperação combinou proteção legal, pesquisa, criação de novas subpopulações e reconexão de áreas florestais. Agricultores, proprietários privados, órgãos estaduais e federais participaram de programas voluntários que restauraram terras difíceis de cultivar e formaram corredores para deslocamento dos animais.
Segundo o U.S. Fish & Wildlife Service, mais de 750 mil acres de habitat foram protegidos ou restaurados durante a recuperação, incluindo mais de 485 mil acres de florestas em propriedades privadas.
O programa reuniu diferentes frentes de conservação:
Quanto o urso-negro-da-Louisiana conseguiu se recuperar?
Quando a retirada da lista foi anunciada, em 2016, a estimativa federal era de 500 a 750 ursos distribuídos pela área ocupada pela subespécie. As três populações reprodutivas conhecidas no momento da listagem haviam crescido e apresentavam tendências estáveis ou de aumento.
Outros grupos reprodutivos também estavam se formando na Louisiana e no Mississippi. Após uma revisão científica, o governo concluiu que as ameaças haviam sido reduzidas e que as populações possuíam condições para persistir no longo prazo.
Os principais marcos ajudam a dimensionar a recuperação:
Quando o governo decidiu retirar a proteção da Lei de Espécies Ameaçadas?
A decisão final foi publicada em 11 de março de 2016 e entrou em vigor em 11 de abril. O ato oficial de retirada concluiu que a subespécie havia se recuperado e não atendia mais à definição federal de ameaçada ou em perigo.
A retirada não ocorreu apenas por causa do aumento numérico. A avaliação considerou redução das ameaças, proteção suficiente de habitat, mecanismos regulatórios e estabilidade das populações, além da possibilidade de deslocamento entre diferentes áreas.
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A recuperação significa que o urso deixou de precisar de conservação?
Não. O urso-negro-da-Louisiana continua protegido pela legislação estadual, e o Louisiana Department of Wildlife and Fisheries mantém programas de pesquisa e monitoramento. A retirada da lista federal significou que os critérios da lei deixaram de ser atendidos, não que todos os riscos desapareceram.
O caso se tornou referência porque a recuperação envolveu áreas públicas e privadas, agricultores, pesquisadores e governos durante 24 anos de proteção federal. O resultado mostra como restaurar habitat e reconectar populações pode permitir que um grande mamífero volte a ocupar uma paisagem da qual quase desapareceu.
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